Velho antes da hora


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O melhor mesmo para uma vida melhor seria que todos tivessem abstinência por qualquer tipo de bebida alcoólica. No entanto, como a carne é fraca (na verdade, deve ser forte, porque quem aguenta beber demonstra possuir muita robustez estomacal), muita gente toma umas e todas.

Os bebedores contumazes costumam gostar de algum determinado tipo de bebida. O jornalista Luiz Neto, em sua última coluna, mostrou que a moçada agora está fissurada em beber vodca pura ou misturada com algum tipo de energético. O texto disseca ainda os malefícios de tal coquetel. (Leia em http://www.gcn.net.br/jornal/index. php?codigo=162006).
Toda bebida faz mal para a saúde. A cada época, os beberrões optam por um tipo alcoólico diferente. Só que no fundo, a começar pela tradicional caipirinha, os bebuns estão mesmo é ingerindo a velha aguardente. Cachaça de verdade, poucos tomam.
Apesar de vodca estar na moda, essa bebida é das mais antigas. A palavra vem do latim ‘vodka’.
Já na origem, queria dizer aguardente proveniente da fermentação e destilação de cereais. Esta espécie de líquido alcoólico ganhou a preferência dos russos. Depois, disseminou-se pelo mundo inteiro.
Beber vinho, cerveja, vodca ou cachaça, dá tudo na mesma. Desses quatro tipos de aguardente, somente a famigerada pinga nasceu no Brasil. As outras três bebidas já faziam parte do latim: ‘vinu’, ‘cerevisia’ e ‘vodka’.
Tudo isso não passa de fermentação, seja ela de uva ou qualquer outro fruto, de cevada ou cereal e, por fim, da brasileiríssima cana-de-açúcar.
O problema está no resultado final. De início, toda bebida alcoólica vem da fermentação de um produto vegetal. Para se chegar à embriaguez, o beberrão ou a beberrona toma aguardente: líquido alcoólico extraído da uva, dos cereais em geral, da cana, da mandioca (sabia dessa?) ou de qualquer outra parte de uma planta que possa ser fermentada para produzir álcool.
Depois de beber, a confusão fica na cabeça da maioria. Muita gente pensa que somente a pobre cachaça é que é aguardente. Acha que vodca, cerveja e vinho são bebidas diferenciadas. Na realidade, tudo não passa de produto destilado e fermentado. Mas só a branquinha leva a fama.
Entretanto, a conta tem extensão centenária. A ‘marvada’ ainda se desdobra em mais de cem codinomes: mata-bicho, birita, arrebenta-peito, cobertor-de-pobre, danada, bichinha, boa-prá-tudo, mata-paixão, abrideira, garapa-doida, friinha, venenosa, água que passarinho não bebe.... São tantos os nomes para a mesma bebida que dá até tontura só de ver a lista. Ou seria tonteira?
O certo é que até tonto tem lá de quando em vez um lampejo de sabedoria. O difícil é pôr o conhecimento em prática.
Um homem estava estragando a vida dele de tanto beber. Seu filho, já entrando na adolescência, disse-lhe: ‘Papai, se você continuar bebendo cachaça desse jeito vai ficar velho muito antes do tempo’.
O pai toma mais um gole, reflete e diz: ‘filho, aprenda isso, não é só a pinga, quem bebe qualquer tipo de aguardente já está velho antes da hora’.
Antônio Araújo
Articulista e professor - tonin.palavras@uol.com.br

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