Liberdade de imprensa


| Tempo de leitura: 2 min

No último dia 22 de fevereiro, dois jornalistas, uma americana e um francês, morreram sob a mão forte do ditador sírio Bashar al-Assad. Eles estavam em um prédio que servia como centro de imprensa na cidade de Homs, principal foco da rebelião que luta para tirar Assad do poder.

A tragédia pode ter sido isso mesmo, uma tragédia. Afinal, os jornalistas estavam em uma região que sofre intensos bombardeios das forças sírias. Mas, segundo fontes internacionais, não é difícil imaginar que o ditador e seus comandados tenham mirado o prédio propositadamente. A julgar pela imagem da Síria no cenário internacional, é possível deduzir que o papel da imprensa na divulgação das atrocidades ali cometidas estaria incomodante muito o alto comando do país.

E o jornalismo atualmente incomoda bastante. Mas não apenas em tempos de guerra ou revoluções. Incomoda também em sua lida diária, nas investigações, nas críticas e na disseminação de informações que muitas vezes fere interesses escusos de autoridades e poderosos.

Em função disso, o número de atentados contra jornalistas continua alto em todo o mundo. No Peru, por exemplo, só em 2011 a Associação de Jornalistas registrou 189 atentados contra a imprensa. Em três deles, houve a morte de jornalistas.

No Chile, em novembro passado, uma bomba destruiu várias janelas do edifício do grupo Copesa, responsável pela publicação de vários jornais do país. Felizmente não houve mortos nem feridos.

Em nosso país não é diferente. No último ano, alguns jornalistas foram mortos e vários outros sofreram atentados e perseguições. Em maio, por exemplo, a organização Repórteres Sem Fronteiras e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas denunciaram o assassinato do jornalista Valério Nascimento, dono e diretor do jornal Panorama Geral, que circula em Rio Claro, no Sul Fluminense, em Angra dos Reis e Bananal, interior de São Paulo. Na época, o jornal O Globo frisou que a última edição do Panorama havia divulgado irregularidades na administração do prefeito de Bananal.

Em outubro, o carro do jronalista Sérgio Ricardo de Almeida Luz foi atingido por seis tiros na cidade de Toledo, no Paraná. Ele estava investigando ‘gente da pesada’, como ele mesmo disse, todos com evolução de patrimônio incompatível com o salário que recebiam. Nesse mesmo mês, em Russas, interior do Ceará, o jornalista Francisco Cidimar Ferreira Sombra teve sua casa alvejada por tiros que quase atingiram seu filho, que dormia em uma rede.

E nesse ano de 2012, que mal se inicia, o jornalista Paulo Rocaro, de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, foi executado a tiros por pistoleiros.

É uma pena que isso ainda ocorra com certa desenvoltura em nosso país. A despeito de seus erros, a imprensa é imprescindível para a consolidação de nossa democracia. Só não reconhece isso quem tem algo a esconder.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários