Diante do instável mercado de calçados, os empreendedores de Franca têm diversificado o ramo de atuação. Se antes o foco eram os pés, eles agora querem vestir outras partes do corpo. Somente em janeiro, mais da metade dos contratos de empréstimos formalizados pelo Banco do Povo no município teve como alvo a confecção e o comércio varejista de roupas. São costureiras querendo montar a própria grife, sacoleiras em busca de ampliar o estoque e também gente que decidiu montar a sua própria loja, como o casal Sebastião e Cleusa dos Reis.
A mudança foi gradativa e começou acontecer há cerca de três anos, porém foi a partir de 2011 que ela se acentuou, chamou a atenção do banco e despertou o interesse até mesmo do sexo masculino. Hoje, é possível encontrar homens no negócio comercializando acessórios como carteiras, cintos e bolsas em Franca e também em cidades da região.
Segundo a agente de crédito Fabiana Naldi, os clientes passaram a investir mais no setor de vestuário em razão das baixas ocorridas na indústria calçadista. “Antes o setor de pesponto liderava o ranking de empréstimos, mas de um tempo para cá as pessoas passaram a buscar outra alternativa. Um outro tipo de trabalho.”
Em janeiro, o Banco do Povo fechou 60 contratos que resultaram em R$ 345 mil emprestados. Desse total, 60% foram voltados para investimentos em confecção e vendas de roupas e só 30% para o setor de calçados. Os outros 10% acabaram divididos entre os setores de mecânica, bicicletaria, beleza e cosméticos, entre outros. Antes dessa transformação, o percentual de empréstimos para o setor calçadista alcançava 80%.
Na análise do também agente de crédito Marcelo Carvalho de Maniglia, outro fator que contribuiu para o aumento da participação do segmento de vestuário foi a maior divulgação das facilidades e serviços do banco. “Estamos sempre visando inovações e realizando palestras voltadas para o gerenciamento dos negócios. Para as sacoleiras ensinamos tópicos sobre como abordar o cliente e administrar o tempo.”
Para Marcelo, a ideia de que o ramo de roupa traz dinheiro mais rápido e com menos esforço também atrai mais interessados. Segundo ele, grande parte do crédito solicitado no setor é para aumentar o faturamento. “Os clientes vêm em busca do empréstimo para ter mais capital de giro e assim condições de fazer um estoque maior.” Pelos dados do Banco do Povo, de cada dez clientes do setor de confecção que reivindicam um financiamento no órgão duas são sacoleiras, que, posteriormente com o aumento do número de fregueses, se tornarão donas do próprio negócio, no caso uma loja de roupas.
Presidente da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), José do Carmo Jorge acredita que o aumento do poder de compras do consumidor nos últimos anos possa também contribuir para esse comportamento.
“A estabilidade da moeda e o dinheiro no bolso movimentam a economia para lojistas de todos os segmentos e para todos os públicos. Com a demanda aumentada de clientes é natural que os empresários tenham que ampliar também sua oferta de produtos, sendo o Banco do Povo o local procurado em busca de capital de giro com juros mais atrativos”, diz o presidente da Acif.
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