Rap circula por tudo, diz Emicida


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O hip hop tem se tornado mais conhecido e encontrado espaço na mídia. Rostos como o do raper Emicida já não passam mais despercebidos. Ontem, dia 25, ele participaria em Franca do festival Palco Livre, evento de rap, black music, samba rock, hip hop e soul em um espaço no Distrito Industrial. Por e-mail, o artista falou com o Comércio.

Comércio da Franca - O rap e o hip hop têm se tornado cada vez mais conhecidos, chegando a lugares onde antes não encontravam espaço. Seu show em Franca, uma cidade a 400 quilômetros da capital, é a maior prova disso. Com avalia essa expansão para o interior?
Emicida -
Acho natural. A metrópole só é o que é por compartilhar alguns pontos com o interior e o rap sempre circulou por lugares como Campinas, Sorocaba, Limeira e Ribeirão Preto. A postura do rap até pouco tempo atrás também não era de dialogar com a mídia, então, obviamente, não aparecia tanto, mas o rap circula por todas as classes sociais e cores há anos. Hip hop é resistência e luta, é amor, é resistir pelos nossos e você não faz uma revolução sem aparecer. Em outros tempos talvez, com o Racionais deu certo, mas vivemos outro momento.

Comércio - Quem é o público que ouve rap hoje e curte hip hop?
Emicida -
Quando comecei, o rap era comum apenas em festivais de gueto, festivais de bairro, cantávamos no festival de bandas do recanto verde e aquilo era o auge para nós. Hoje a música circula por mais locais. Seria hipócrita cantar união e fim do preconceito e ter preconceito quando eu achar conveniente. Hoje, temos patricinhas nos shows, temos os manos, temos adolescentes apaixonados por música, pessoas de bom gosto, os irmãos do movimento, gente que não tem medo de gente, gente que ‘cola’ na de curtir um som na disciplina, não há um termômetro que julgue quem tem mais amor pelo hip hop.

Comércio - As letras das suas músicas são uma forma de denunciar o que você vê e viu na periferia?
Emicida -
Minha poesia é um relato do que vi, vivi, ou alguém próximo de mim viveu, então podemos dizer que ela é quase autobiográfica.
 

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