Saiba mais da realidade do hip hop, uma arte (des)marginalizada


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NO BALANÇO DO HIP  - Edy Jequinha (no chão), Eleandro, Chauana, Mc Molusco e Blacklas
NO BALANÇO DO HIP - Edy Jequinha (no chão), Eleandro, Chauana, Mc Molusco e Blacklas

O lugar é simples. Um enorme salão no bairro da Estação com carteiras universitárias, livros de diversos temas, paredes grafitadas no entorno e um pequeno praticável que serve de “palco” para os ensaios e encontros dos dançarinos de hip hop das diferentes comunidades de Franca. A sede do Ipra (Instituto Práxis de Educação e Cultura), ou simplesmente Ponto de Cultura Pedra no Sapato, como também é conhecido, é o principal local de encontro dessa galera na cidade. É ali onde b-boys e b-girls (dançarinos), MC’s, DJ’s e grafiteiros trocam experiências, letras e coreografias.

Para quem olha de fora o hip hop pode parecer só uma dança feita através de movimentos corporais no chão, ritmada pelo som, principalmente do rap e das batidas, mas para quem está dentro de um desses grupos é muito mais que isso. “É um estilo de vida”, afirma o músico Elias Paulo Inácio, 29, o Blacklas.

Esse estilo de vida a que ele se refere é caracterizado por cinco elementos que juntos fazem o hip hop: a dança de rua ou break; o MC, que faz os improvisos, cantando; o DJ, responsável pela sonoridade das batidas; o grafite, desenhos em paredes, muros ou placas de madeira e o conhecimento, que pode ser através de informação vinda das letras das músicas, de workshops ou das pinturas. Outra característica do movimento é a inclusão social nas comunidades onde o hip hop tem representação.

Chamados de “crews”, em Franca há mais de 15 grupos de break do movimento em bairros como Leporace, Aeroporto, Bom Sucesso e Santa Cruz. Cada turma tem em média 10 dançarinos. Muitas, como a EDS Crew, Soul Flow Crew e Planet Break se organizam para viajar e competir fora de Franca. A EDS esteve no Chile recentemente, representando o Brasil. Há ainda cerca de 15 grupos de rap.

A maioria entra para os grupos por intermédio de amigos e por estar acostumado a ver nas proximidades de casa as batalhas de break (duas equipes se enfrentam dançando por um determinado tempo, mostrando performances com o corpo).

B-boy há nove anos, Edson Daniel Cândido, 32, o Edy Jequinha, sempre admirou os amigos que se equilibravam sobre as mãos com movimentos rápidos no solo. Aprendeu com quem tinha mais experiência que ele, passou de aluno a professor e viaja para diversas cidades para mostrar sua arte.

Visto como uma cultura marginal por muitos, o hip hop enfrenta o preconceito e encontra dificuldades para ser reconhecido como arte. Mas é justamente para fomentar essa arte e divulgar o hip hop que Blacklas foi buscar mais conhecimentos. Fez um curso de Gestão em Projetos Sociais e quer ter em breve uma ferramenta para a cultura de rua no terceiro setor. No ano passado, ele elaborou um projeto junto à Secretaria de Cultura e conseguiu apoio financeiro para realizar o Basketsom, um dia inteiro com programação cultural gratuita no bairro Vicente Leporace. O evento reuniu mais de 1,3 mil jovens.

EMERGENTE
O número de mulheres e crianças nas crews é prova de que o movimento tem crescido na cidade. A auxiliar administrativa Chauana Oliveira, 23, faz parte do movimento há três anos e meio. Levada ao grupo por um amigo, mesmo enfrentando o preconceito, nunca mais deixou a dança. “Sofri duplamente: primeiro porque o hip hop era visto apenas como dança de marginais, depois porque sou mulher. As pessoas achavam que só porque eu dançava o break tinha que andar como homem, mas aos poucos fui mostrando que podia usar o charme feminino na dança de rua”, explica.

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