Família vive refém de drogados no Jd. Panorama e paga 'pedágio'


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DIA E NOITE - Movimento de drogados em terreno no Jardim Panorama, ao lado de casa abandonada que foi invadida pelo grupo
DIA E NOITE - Movimento de drogados em terreno no Jardim Panorama, ao lado de casa abandonada que foi invadida pelo grupo

Dezesseis horas de quinta-feira, 23 de fevereiro. Na rua Wilson Abrão Elias, no Jardim Panorama, quatro rapazes consomem drogas sossegadamente - um deles aparenta ter menos de 15 anos. Fumam maconha, dão gargalhadas, conversam em voz alta e andam de um lado para outro no terreno vizinho a uma casa que, segundo moradores das redondezas, foi invadida e virou ponto de encontro e de venda de entorpecentes.

No imóvel em frente, a dona de casa Gislaine* e o filho Pedro*, que é cego, ainda estudam se precisam mesmo sair de casa. Há cerca de um ano, a família de Gislaine é obrigada a pagar uma espécie de pedágio aos drogados quase todas as vezes em que sai de casa. “É um inferno. Eles tomam o meu portão e não deixam a gente sair ou entrar se não pagar. Quando estão bonzinhos cobram R$ 2 por pessoa. Agora se tiverem consumido crack ou quiserem fazer churrasco são R$ 5. Eu pago porque eles ameaçam bater no meu filho e no meu marido. Vivo dentro de casa com medo.”

Gislaine comprou há 15 anos a casa, que se destaca entre as da região, sugerindo que a família tem um pouco mais de dinheiro que os vizinhos. Ela já tentou vender o imóvel diversas vezes. “Mas quem vai querer comprar isso aqui? A casa é até boa, mas com esses drogados ninguém se interessa. Eu não tenho como comprar outro imóvel, senão abandonava tudo e me mudava.”

Ela diz que nunca procurou a polícia por medo da reação dos moradores do cômodo invadido. “Eu morro de medo de eles fazerem alguma coisa contra minha família. Eu vejo o ódio nos olhos deles. Eles também não têm mais nada a perder. Eu sei que a polícia vai vir, mas, depois que ela for embora, como vão ficar as coisas? Não vai ter um carro na minha porta 24 horas.”

O mais terrível para ela são as madrugadas em que os drogados resolvem usar o dinheiro do pedágio para fazer churrasco. “Eles ocupam minha calçada, fazem batucada com baldes. Chega a juntar umas 30 pessoas. Eu fico rezando para algum vizinho chamar a polícia para eles nos darem um pouco de sossego.”

Agora ela está preocupada com o mato que cresce no terreno ao lado. “Eles escondem as drogas lá e resolveram que não vão mais deixar ninguém carpir o mato. Um jardineiro até veio limpar, mas eles o ameaçaram e ele foi embora sem fazer o serviço.”

Joana (*), vizinha de Gislaine, confirma que a rotina na Wilson Abrão Elias é de medo permanente. “Não temos sossego. Eles mexem com as mulheres, pedem comida, água, dinheiro. São agressivos mesmo.” Joana diz que eles não cobram pedágio dela. “É que eu não tenho mesmo dinheiro, se não cobravam também.”

A Polícia Militar disse que vai tomar providências. Já a prefeitura admite que há muitas casas invadidas por drogados, mas diz ter limitações para agir nesses casos.

(*) Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos entrevistados.

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