Idosos se rendem à musculação e à hidroginástica para melhorar a vida


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HIDROGINÁSTICA - Aula na piscina da Academia Sereia, onde o número de idosos matriculados mais que dobrou em 4 anos
HIDROGINÁSTICA - Aula na piscina da Academia Sereia, onde o número de idosos matriculados mais que dobrou em 4 anos

Já se foi o tempo em que ter mais de 60 anos era sinônimo de passar a maior parte do tempo sentado numa cadeira de balanço. Hoje o movimento é outro. Os avôs deixaram o tricô, televisão e o jogo de damas de lado para se exercitarem. Com aumento da expectativa de vida do brasileiro -que atualmente é de 73,5 anos, eles estão em busca de uma maior qualidade de vida.

Dados da Acad (Associação Brasileira de Academias) apontam que, em uma década, a porcentagem de idosos frequentadores de academias no País subiu de 5% para 30%. Nos estabelecimentos do gênero em Franca, a realidade é a mesma. O número de pessoas acima dos 45 anos dispostas a se exercitar, seja nas piscinas ou em aparelhos de musculação, não para de crescer.

A Academia Sereia, no bairro São Joaquim, por exemplo, matricula em média cem novos alunos por mês. Desse total, de 30% a 35% são idosos. Inaugurada há 13 anos, a academia atende mais bebês e idosos. Há frequentadores com 90 anos de idade. “A procura por parte das pessoas mais velhas aumentou sim. Isso se deve ao fato de a população estar envelhecendo e haver um incentivo por parte dos médicos e da mídia para a prática de atividades físicas, pelos problemas que elas previnem e os benefícios que trazem”, disse a fisioterapeuta Rita de Cássia Garcia, sócia-proprietária da Sereia.

Na Academia Atlanta, a lista de idosos matriculados mais que dobrou desde que o local foi inaugurado há quatro anos. “Quando começamos, eram cerca de cem alunos idosos e hoje temos 250, o que representa um terço do total de alunos aqui”, disse o proprietário, Leandro Butti.

A hidroginástica é a atividade preferida deste público. Por ser na água, é mais prazerosa, reduz os impactos dos exercícios no corpo e permite uma socialização maior porque é feita em grupo. A natação, pilates e musculação também são procuradas.

A professora aposentada Maria José Espagnolo, de 72 anos, escolheu as atividades na piscina para fugir do sedentarismo. É praticante de hidroginástica há seis anos. “Fazia caminhadas também, mas agora sinto dores fortes no joelho e ando meio preguiçosa, então faço hidroginástica porque é mais relaxante.” Maria José tem aulas na Academia Sereia duas vezes por semana. Na turma dela, a grande maioria é mulher e idosa. “Antes de me aposentar, há quatro anos, comecei a fazer exercícios para me sentir melhor e não ficar só em casa. Me sinto muito bem durante e após as aulas”, disse ela, momentos antes de entrar na piscina com uma máscara de Carnaval para lembrar a data na aula de hidroginástica.
O casal José Olympio de Lima, 76, e Roza Aparecida Meneghetti Lima, que não revela a idade, frequenta, juntos, a academia do Sesi três vezes por semana. Eles fazem alongamento, esteira e exercícios nos aparelhos por cerca de uma hora e meia por dia. Aos fins de semana e feriados, costumam ir caminhar no Poliesportivo. “Sempre me cuidei. Me interessa tudo que é saúde, para ter um velhice boa, para a gente envelhecer com saúde, com dignidade”, disse Roza, que é professora aposentada.

Ela e o marido só veem benefícios na ginástica. “Ajuda a mente e o corpo. Às vezes, venho para a academia com uma preguiça, mas saio daqui com energia renovada”, disse Roza. José Olympio falou que se sente mais disposto e com a memória mais ativa.

INVESTINDO
Antenada com o envelhecimento da população, a Gynasium Academia pretende lançar em março um projeto de atividades voltado para pessoas de mais de 50 anos. O plano inclui aulas de musculação, dança, voleibol e caminhada e oferecerá descontos a esse público. “Sabemos que hoje nascem menos crianças e que a tendência é o número de idosos crescer, por isso decidimos dar atenção a essa classe”, disse Juliano Chereguini, coordenador da Gynasium, que possui cerca de 500 alunos. “Com o novo projeto, temos expectativa de ampliar de 3% para 10% a faixa de idosos na academia até o fim do ano.”
 

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