A aposentada Maria de Lourdes Souza, 63, sai de sua casa no Jardim Brasilândia para trabalhar como passadeira de roupas no Jardim Lima. Usuária do transporte coletivo, aponta diversas dificuldades na sua locomoção. Ela aponta ainda problemas na cidade, como a falta de acessibilidade, de médicos geriatras na unidade de saúde próxima de sua casa, de opções de lazer e de preconceito. “A gente tem que andar na rua, porque tem muita calçada que é inclinada e eu morro de medo de cair. Para subir no ônibus, é uma dificuldade porque eles param longe da calçada. Na hora de descer é a mesma coisa. Quando você entra no ônibus lotado, ninguém dá lugar para gente sentar”, desabafa a aposentada.
Assim como Maria outras 35 mil pessoas fazem parte da população de idosos de Franca, o que representa 11% dos francanos, de acordo com o último Censo. As dificuldades encontradas pela população com mais de 60 anos de idade foram tema de estudo de um grupo de pesquisadores da Unesp.
A assistente social Profa. Dra. Iris Fenner Bertani dse que a pesquisa foi baseada no Projeto Cidade Amiga da Pessoa Idosa, idealizado no Brasil com apoio da OMS (Organização Mundial da Saúde). O objetivo do estudo francano é transformar a cidade em um lugar aprazível, estimulando o processo de envelhecimento saudável, desenvolvendo oportunidades de participação e segurança, aumentando a qualidade de vida das pessoas que envelhecem na cidade.
O estudo ouviu 89 idosos de todas as regiões de Franca e detectou que os problemas ligados à saúde são os que mais preocupam a terceira idade. Os idosos reclamam principalmente da falta de médicos especialistas na rede pública. A pouca opções de lazer e a falta de acessibilidade são outros pontos levantados. A partir da pesquisa, os pesquisadores traçaram um plano para fazer de Franca uma “cidade amiga do idoso”.
“É um projeto que a gente gostaria muito que começasse a andar e não fosse para a gaveta. Aqui em Franca algumas situações são incríveis, umas calçadas para cima, outra para baixo, se uma pessoa tiver dificuldade de andar, ela vai levar um tombo. Então, ela fica em cárcere domiciliar porque não pode sair de casa”, disse Iris.
Segundo a secretaria de Urbanismo e Habitação, Valéria Marson, a Prefeitura está atenta para que novas construções cumpram padrões de acessibilidade. Ela diz que um projeto de lei está sendo elaborado para ser enviado à Câmara. “É um estudo que visa a utilização de uma pavimentação que não seja escorregadia. O objetivo é poder conter os absurdos que eram praticados antigamente, garantindo mais acessibilidade e segurança.”
O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, não pôde atender a reportagem no final da tarde de ontem. Já o secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha, disse que Franca já desenvolve projetos sociais destinados aos idosos (leia mais em texto nesta página).
LANÇAMENTO
O estudo dos pesquisadores do grupo Quavisss, vinculado à Unesp de Franca, avalia os aspectos positivos e as deficiências da cidade. O resultado foi compilado em um livro, intitulado Cidade Amiga do Idoso - Um caminho a percorrer, que será lançado hoje, às 9 horas da manhã, na Livraria Pé da Letra (rua Major Claudiano, próxima à antiga Unesp, no Centro).
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