Muita confusão foi registrada durante toda a quarta-feira em frente à sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados do Município de Franca, na rua General Carneiro, na Estação. A escolha de uma data inapropriada e a pouca divulgação do prazo para os sapateiros reivindicarem o direito de isenção da contribuição assistencial foram os principais motivos do tumulto. A confusão foi acentuada pela distribuição nas fábricas de um panfleto apócrifo que divulgava um horário de atendimento diferente (8 às 18h) do real (12h às 17h).
Pelo menos mil pessoas, entre elas, grávidas, idosos e mulheres com crianças no colo, enfrentaram longas filas por até cinco horas para pedirem a isenção da contribuição assistencial. A revolta pela demora no atendimento foi geral. Seguranças particulares e policiais militares foram acionados para tentar controlar o tumulto. Mesmo assim, houve empurra-empurra e pedras foram atiradas contra a sede do sindicato. A direção acusou os rivais, do sindicato da Padre Anchieta, de terem provocado a situação ao distribuírem o comunicado informando o horário errado, o que foi negado.
Durante as negociações para o reajuste salarial da categoria, ficou acertado que os trabalhadores que quisessem a isenção da contribuição, a ser descontada dos salários em duas parcelas de R$ 18,45 cada, deveriam se apresentar na sede do sindicato. Na semana passada, panfletos foram distribuídos nas fábricas informando que a oposição ao desconto deveria ser feita das 8 às 18 horas. Muitas pessoas chegaram ontem à porta da entidade ainda mais cedo. Ficaram sabendo que o expediente, na verdade, só começaria ao meio-dia, a exemplo das repartições públicas, por ser Quarta-feira de Cinzas.
A fila iniciada logo pela manhã na General Carneiro foi crescendo rapidamente, virou pela rua Voluntário Mário Mazine e desceu pela General Osório, quase completando o quarteirão. Não demorou para que os sapateiros perdessem a paciência e que o tumulto se formasse. “Cheguei na porta do sindicato às 6 horas. Foi uma falta de respeito muito grande. Faltou organização. Muita gente está trabalhando e foi prejudicada pelo desencontro nas informações”, disse o sapateiro Nélson Campos.
Reclamações e gritos de “vamos invadir” se tornaram frequentes. Diante do clima de tensão, a direção do sindicato acionou uma equipe de segurança particular. Não resolveu. A PM foi chamada em seguida e enviou integrantes da Força Tática. Mesmo com a chegada dos policiais, pelo menos três pedras foram atiradas e quebraram vidros da porta. A sapateira Carolina Cintra, grávida de oito meses, estava no meio da aglomeração durante o tumulto. “Fiquei com muito medo. Eles começaram a empurrar e quase fui esmagada nas grades. Achei uma grande falta de respeito.”
Durante a tarde, vários sapateiros foram atendidos e cadastrados. Mas, às 17 horas - horário de saída das fábricas -, uma nova aglomeração formou-se na General Carneiro. Cerca de 500 pessoas fecharam a via e exigiam atendimento. A PM foi acionada. “Nós bloqueamos algumas ruas para impedir o trânsito e evitar um acidente. Estamos monitorando caso haja um tumulto, um dano, uma depredação para entrarmos em ação. O efetivo da Força Tática está aqui com cinco viaturas e 20 homens”, disse o tenente Marcel Pereira, da PM.

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