Exatos 52 dias se passaram desde o dia 1º de janeiro. A roda do tempo não para (vem de parar, aqueles que deram a canetada para assinar a Reforma Ortográfica nem sentem o problema causado pela retirada de um acento, principalmente diferencial). Durante esse período, houve muito trabalho e algum descanso.
O primeiro repouso mais longo do ano termina amanhã, às 12 horas. Em tese, a alegria(?) do Carnaval acaba hoje, à meia-noite. No entanto, por tradição, os passistas têm ainda umas horas extras. O trabalho diário só volta ao normal após o almoço da Quarta-feira de Cinzas.
O labor será retomado pela maioria. Uma minoria, constituída por legisladores municipais, estaduais ou federais, segue um ritmo de trabalho diferente. Essa parcela de representantes do povo possui uma arma poderosa. A força da caneta pode ser sentida na mão individual ou coletiva deles. Uma simples assinatura muda até o tempo.
José Sarney, o nome já diz tudo. Ou você não sabe que se trata do presidente do Senado e ex-presidente da República? Homem de longa carreira política, sempre se preocupou muito com a economia (não pergunte de quem). Quando esteve na presidência do País, para economizar energia elétrica, assinou um decreto instituindo o atual horário de verão.
O ex-presidente Lula, também preocupado com a economia, deu a canetada final no que diz respeito à duração do horário de verão.
No final de 2010, ficou instituído que, a partir de 2011, o adiantamento de uma hora aconteceria sempre no terceiro domingo de outubro. A volta dos relógios ao normal foi estipulada para a zero hora do terceiro domingo de fevereiro.
Só que em letras miúdas, bem dentro dos artigos e alíneas do novo decreto, há a estipulação de que se o terceiro domingo fosse de Carnaval, o retorno ao horário normal se daria somente no domingo seguinte. Em vista disso, as extensas madrugadas continuam até o final do mês.
Trabalhadores e estudantes terão ainda que enfrentar a escuridão das 7 horas da manhã até dia 25. Os legisladores nem se levantam neste horário. Além disso, a semana deles não começa na segunda-feira. Muito menos termina na sexta-feira.
Deputados e senadores costumam viajar já na sexta-feira para as suas bases eleitorais. Permanecem em suas cidades para estabelecer contatos e ouvir as reivindicações populares. Depois, viajam na segunda-feira. Na terça, retomam as atividades na assembleia (computador não sabe da força da caneta, ainda põe acento em assembleia, quanto ao tempo, o horário informatizado já foi atrasado em uma hora).
Nesta semana sobra somente a quinta-feira para reuniões na assembleia estadual ou federal. Haverá quorum suficiente? E na Câmara Municipal, qual será a pauta dos foliões, ou melhor, dos vereadores?
Os edis ainda não estão na era da caneta espiã, que tem até calendário. Eles assinaram coletivamente a volta da sessão semanal para terça-feira.
A medida entra em vigor hoje. Coincidência, não?
Antônio Araújo
Articulista e professor - tonin.palavras@uol.com.br
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