Com a graça de Deus estamos vivendo mais um dia da sua infinita bondade sobre nós
A Palavra de Deus, hoje, nos convida a experimentar uma cura especial que Ele quer realizar em nós: a cura da raiz de todos os males que nos aflige, que é o pecado. Deus não ama o pecado, mas o pecador. Vejamos os ensinamentos de Deus para a nossa vida.
PRIMEIRA LEITURA
Os israelitas se encontram na Babilônia. Derrotados e humilhados se perguntam: por que Deus permitiu que fôssemos reduzidos à escravidão? Talvez tenha se cansado de amar o seu povo e agora prefere um outro?
Não! Responde a leitura de hoje (Isaias 43), Deus não foi infiel ao seu amor, mas Israel é que foi desmiolado, que não deu ouvidos aos profetas e causou, desta forma, sua própria ruína.
O que fazer agora? Será, talvez, irrecuperável a situação? Aos exilados da Babilônia só resta o consolo das lembranças do passado, porque a situação atual é triste demais. Na primeira parte da leitura Deus responde a estas pessoas aflitas e humilhadas. Não pensem mais nas coisas do passado, afirma, como se eu me tivesse tornado insensível aos gritos do oprimido ou tivesse perdido o poder de socorrer o meu povo.
Deus diz que está para realizar uma libertação superior àquela dos tempos antigos. Diz: ‘abrirei uma estrada no deserto para permitir vosso regresso à pátria e farei jorrar rios nas estepes para matar vossa sede durante a viagem’.
A situação desesperadora dos exilados na Babilônia é uma imagem do que acontece com aqueles que, submetendo-se aos próprios caprichos e ás próprias paixões, se afastam de Deus e se tornam escravos dos seus pecados: afundam sempre mais e já não enxergam qualquer saída para a própria situação.
A leitura nos ensina que, para superar esses períodos de desânimo, é preciso, acima de tudo, “lembrar” o que Deus fez por nós nos tempos idos. Deus prossegue, reafirmando que continua sendo o libertador e que realizará gestos ainda mais extraordinárias do que no passado. Não é possível pensar que as surpresas do seu amor tenham se esgotado.
A segunda parte da leitura, especialmente o último versículo, contêm afirmações extremamente consoladoras: não existe pecado tão grave que não possa ser vencido pelo amor de Deus, não há situação tão desesperadora que ele não possa resolver. Deus nunca cessa de confiar no homem.
Como uma criança, o homem cai a todo instante, mas Deus não se cansa de reerguê-lo.
SEGUNDA LEITURA
Entre Paulo e os cristãos de Corinto houve períodos de tensão muito forte. Alguns cristãos daquela comunidade o acusavam (não sem motivo) de ser, às vezes, muito duro e intolerante. Outros diziam que ele escrevia bem, mas não sabia falar, e outros, por fim, afirmavam (e esta era a acusação mais séria) que ele ensinava um outro evangelho, diferente daquele dos outros apóstolos.
Em resumo, naquela comunidade tinha-se formado um verdadeiro “partido da oposição” que não perdia nenhuma oportunidade para atacá-lo. Na leitura de hoje (II Cor 1), encontramos a resposta de Paulo.
Ele defende energicamente a própria lealdade e afirma ter sido sempre muito sincero, quer nas próprias atitudes como na sua pregação. Acrescenta ainda que esta sua retidão, ele a assimilou de Cristo, cuja vida não foi uma sequência de “sim” ou de “não”, mas um constante e perfeito “Sim”, “Amém” ao Pai.
As palavras de Paulo constituem para nós, motivo de reflexão, como também para nossas comunidades. Quantos “Sim” e quantos “Amém” pronunciamos (e cantamos) em nossas Igrejas! Depois, porém, na vida prática, os transformamos em muitos “não”.
EVANGELHO
O exercício do “poder-autoridade” inerente à missão de Jesus começa a revelar sua verdadeira personalidade: ele perdoa o pecado – o que só Deus pode – e comprova sua autoridade pelo sinal da cura do aleijado.
A história do paralítico começa como uma cura um tanto pitoresca: um homem é baixado pelo teto diante dos pés de Jesus, porque a multidão entupia a porta. Mas, onde a gente esperava uma cura, Jesus faz o que nem foi pedido: perdoa. Também não poderia ter sido pedido a Jesus, pois perdoar, só Deus o pode. Por isso, ‘as autoridades acusam Jesus de blasfêmia’.
No domingo passado, Marcos nos mostrou Jesus como possuidor do poder de superar a marginalização. Hoje (São Marcos 2), o mostra vencendo uma exclusão pior: a do pecado. Jesus é mais que um curandeiro. Ele tem poder sobre o pecado. Ele é o “Filho do homem”. O que ele veio fazer não era tanto tirar as doenças físicas, mas expulsar o pecado. Deus já não quer nem se lembrar do pecado do povo. Curar, até os médicos conseguem. Perdoar, só Deus... e o Filho, que executa sua vontade.
Jesus pronuncia primeiro o perdão do pecado e depois mostra ter poder para tratar da enfermidade material. O mais urgente é livrar as pessoas do mal fundamental, o pecado. Então, a libertação total deitará raízes num chão livre da erva daninha do pecado.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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