Temos que nos impor à violência e não ela a nós. Ainda não voltamos à barbárie, embora pareça que estejamos caminhando para isso. Há assaltos pipocando por toda a cidade e a qualquer hora do dia ou da noite.
Donas de casa, empresários, estudantes, homens, mulheres, jovens, idosos estão subjugados e reféns em suas próprias moradias ou locais de trabalho. Milhares de veículos são surrupiados à luz do dia. O patrimônio conseguido através do trabalho árduo e honesto é levado de maneira impiedosa sem que haja consequências reais a qualquer outra pessoa que não seja a própria vítima.
Orientações de algumas autoridades parecem querer dizer que devemos nos submeter à bandidagem e não ela à polícia ou à força da lei. Não é razoável mudarmos os nossos hábitos por submissão à vontade dos bandidos. Não é razoável que aceitemos as orientações de que devemos escolher, a cada dia, um horário diferente para ir ao banco, pagar nossas contas levando o dinheiro necessário ou sair das agências portando o necessário ao cumprimento de nossas obrigações como se fôssemos presas fáceis, frágeis e indefesas à mercê de predadores que livremente nos espreitam. Não é razoável que não possamos decidir o quando sair e voltar de nossos lares sem nos comunicarmos com vizinhos e pedir para que olhem por nós o patrimônio e vigiem nossa intimidade.
Temos que ter reconhecido o direito de estacionarmos nossos veículos em locais públicos sem que muitos daqueles autointitulados “donos do pedaço” nos cobrem o preço sob pena de danificarem nosso patrimônio, sem dó e nem piedade, apenas com a certeza da impunidade. Assisti, estupefato, uma entrevista na TV, onde um policial da capital dizia que o bandido exagerou na quantidade de explosivos usados para destruir um caixa eletrônico instalado em um posto de combustíveis. Dizia ele que, com carga menor, conseguiria seu intento, em verdadeira “aula” de economia de explosivos.
Dizem também que devemos evitar usar os caixas eletrônicos em horários que não sejam de muito movimento. Absurdo! Quem deve definir nossos horários somos nós e não os bandidos.
Proíbem as pessoas de bem de usarem seus celulares no interior de agência bancárias e não conseguem proibir que bandidos e condenados, usem celulares dentro dos presídios e de lá comandem o crime aqui de fora. Afinal, o que estão querendo nossos governantes? Associarem-se aos bandidos ou aos cidadãos de bem?
Se até delegacia de polícia está com monitoramento de segurança privada, privatizem de vez a segurança! Deixem que os próprios cidadãos se encarreguem da própria segurança e decretem de vez a falência do Estado!
Continuem permitindo que os mais fortes subjuguem os mais fracos e, logo logo também serão reféns deles. O que não dá é ficarem nos cobrando, e caro, por serviços que não estão nos oferecendo nem na segurança, nem na saúde, nem na educação!
Éder Silveira Brazão
Advogado, conselheiro deste GCN
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.