Máscara nova


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Durante os folguedos do carnaval, é comum o uso de máscaras por parte dos foliões. Com origem no teatro grego, o disfarce era chamado de ‘persona’, expressão de que se originou o conceito de personalidade.

O uso de uma máscara, ou persona, oculta a identidade do folião mas não sua essência, a personalidade. Assim como a sua individualidade (ou a sua essência), também a personalidade não se altera.

Comparemos com a máscara a reencarnação que, conforme nos ensina a Doutrina Espírita, recebemos para viver na face do planeta. Aí, utilizamos uma nova ‘persona’ que nos caracteriza perante a sociedade, sem deixarmos de ser nós mesmos, isto é, o espírito (a essência) é o mesmo, apenas muda a aparência, troca a roupagem.

Para cada nova experiência no mundo físico, trazemos tendências e aptidões que são resultantes de todas as vivências anteriores. Assim, não é o acaso que nos faz gostar de música ou de matemática; nem é apenas a genética que nos induz ao gosto por determinada área do conhecimento. Não somos músicos ou matemáticos porque nascemos em família de músicos ou matemáticos.

Ensina-nos o Espiritismo, todavia, que somos atraídos magneticamente para famílias que apresentem os potenciais de que necessitamos para melhor cumprimento dos objetivos de cada nova experiência reencarnatória.

A afinidade é lei divina e cada um sente-se atraído pelos grupos familiares afins, cuja vinculação se estabelece segundo as tendências da sua personalidade. Dirão alguns: mas, se assim for, o espírito só avançará numa direção. O músico será sempre músico e o matemático, sempre matemático! Não, não é isso o que ocorre. Este seria um raciocínio simplista.

Nossa personalidade, que está no espírito, vivencia inúmeras experiências a cada jornada no planeta. Assim, os guias espirituais, que orientam o nosso processo evolutivo, contribuem para que o melhor para nós seja realçado em cada nova reencarnação. As tendências ficam latentes no espírito e só se manifestam aquelas que melhor atendam às atuais necessidades redentoras.

Por isso, um músico, numa nova reencarnação, pode ter adormecido o seu gosto musical a fim de que se lhe desabroche nova tendência útil ao seu progresso moral. O indivíduo pode manter nos seus registros espirituais os mesmos gostos e tendências que cultivara nas suas anteriores encarnações, porém de maneira hibernada.

Por esse motivo, cada existência nossa num corpo físico, que, nas suas características gerais, nada tem a ver com o anterior, é como uma máscara nova, com a qual nos identificamos perante a sociedade de que fazemos parte, em oportunidade ímpar para o burilamento do espírito no rumo do aperfeiçoamento.

Livres para, em cada existência, empreendermos a escalada evolutiva, impõe-se-nos a certeza de que a velocidade da subida só depende de nós.

Compete a nós, e somente a nós, acelerá-la ou retardá-la.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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