Patrocínio Paulista tenta evitar 'exportação' da cana-de-açúcar


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USINA - Prefeitura e sindicato querem que Cevasa compre a cana que é exportada
USINA - Prefeitura e sindicato querem que Cevasa compre a cana que é exportada

Metade da cana-de-açúcar produzida em Patrocínio Paulista é moída em outras cidades. São “exportadas” cerca de 600 mil toneladas da matéria-prima para produção de açúcar, álcool e energia elétrica. Essa quantidade de cana gera em impostos cerca de R$ 12,7 milhões, de acordo com estimativa da Cevasa, usina instalada no município. De olho em parte desta arrecadação, a administração municipal participou esta semana de uma reunião na sede do Sindicato Rural de Patrocínio Paulista. Estiveram presentes o presidente da entidade, Irineu Andrade Monteiro, o prefeito José Mauro Barcellos e o diretor da Cevasa, José Carlos Rassi.

Para o presidente do Sindicato Rural, hoje o município deixa de lucrar com a “exportação” da cana. “Existe um desencontro e uma concorrência entre as próprias usinas. Alguém pagou mais para andar 60, 70 quilômetros com a cana. Se a outra (usina) pode pagar para transportar 70 quilômetros, a Cevasa que está aqui dentro de casa pode pagar também. Essa é a nossa reivindicação.”

Patrocínio tem como principal atividade econômica, o cultivo da cana de açúcar. Segundo dados da secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em 13,8 mil hectares de terra são produzidas 1,2 milhão de toneladas de cana por safra.

Para o prefeito José Mauro Barcellos, quando a cana plantada no município é moída em outros locais, a cidade deixa de recolher impostos que poderiam ser investidos em saúde, educação e segurança. “A gente acaba perdendo em arrecadação. O que mais impressiona é que uma empresa como a Cevasa consegue pagar menos que as usinas de álcool de Batatais e Morro Agudo.”

De acordo com o diretor da Cevasa, José Carlos Rissi, no início das atividades em Patrocínio Paulista, a empresa não tinha estrutura para moer toda cana produzida no município, por isso, optava exclusivamente pela matéria-prima fornecida pela Canagrill - formada por um grupo de produtores rurais que planta cana em terras próprias e arrendadas - e sócio-proprietária da usina, junto com a Cargill.

Até 2010, a Cevasa era uma destilaria que produzia 100 mil metros cúbicos de etanol. Desde 2011, passou a produzir açúcar e exportar energia. A capacidade de moagem dobrou de 1,4 milhão para 2,8 milhões de toneladas de cana por sa-fra.

“Hoje somos uma usina de açúcar e álcool e, por isso, estamos buscando mais terra”, disse o diretor da Cevasa. Para poder moer maior quantidade de cana produzida no município, a usina pretende arrendar terra dos produtores locais. No entanto, afirmou que levará em consideração fatores como qualidade, tipo de solo, topografia do terreno e a distância da unidade industrial, sem comentar os questionamentos sobre valores feitos pelo prefeito e sindicato.

ARRECADAÇÃO
De acordo com o setor de fiscalização de tributos da Prefeitura de Patrocínio, a Cevasa gera para o município R$ 25 milhões em impostos por ano, o que representa 78% da arrecadação, que é de R$ 32 milhões. Se as 600 mil toneladas de cana que vão para fora fossem moídas pela usina haveria um crescimento na arrecadação, já que parte dos R$ 12,7 milhões ficaria no município e outra parte para o Estado. Para definir a divisão, diversos fatores são considerados, como número de habitantes, total de arrecadação, entre outros. Mas a maior fatia fica com o Governo do Estado.

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