Entre tapas e beijos


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Na última quinta-feira, 09/02, durante a sessão da Câmara Municipal, o PTB anunciou sua saída da base aliada de apoio ao governo municipal. O motivo alegado pela bancada foram as broncas públicas que o líder do governo, vereador Jépy Pereira, teria direcionado aos dois integrantes do partido que votaram contra matérias de interesse do Executivo.

Caso se confirme essa saída, o governo poderá perder ao menos dois votos importantes no plenário, já que dos três representantes do partido na Câmara, dois têm votado seguidamente de acordo com as diretrizes do governo. O terceiro representante não faria tanta diferença, já que sempre se mostrou imprevisível nas votações e só mais recentemente fez oposição sistemática ao prefeito.

Porém, é difícil acreditar que essa separação se concretize. Está mais para cena de novela, daquelas mais cômicas, em que alguns personagens se alternam entre tapas e beijos durante boa parte da trama, mas acabam sempre andando de ‘mãos dadas’, selando a paz no último capítulo.

E a julgar pelo que disseram o líder do governo na Câmara e o secretário municipal de finanças, esse entendimento nem precisará esperar pelo último capítulo. O primeiro foi mais irônico e incisivo. Talvez por ter sido colocado como pivô desse rompimento, resolveu partir para o ataque, dizendo que os vereadores ofendidos por suas supostas palavras são os que mais fazem pedidos à Prefeitura, ‘vivendo quase todo o mandato das benesses da administração municipal’.

O segundo, mais conciliador, afirmou que esses vereadores são parceiros do executivo e que entendia essa questão como um desentendimento interno da Câmara, entre os próprios vereadores, o que não teria nada a ver com a Prefeitura Municipal.

O prefeito não se manifestou até agora. Talvez nem venha a fazê-lo publicamente, considerando que o caso seja apenas uma crise passageira, algo que pode facilmente ser resolvido com dois rápidos telefonemas.

Até mesmo a fala do presidente da executiva do PTB dá indícios de que a reclamação é mais para chamar a atenção do que para romper em definitivo, pois ao dizer que agora o partido iria votar de acordo com o entendimento de seus membros, e não mais como desejaria o Executivo, é o mesmo que passar um atestado de ‘boi de presépio’ à parte de sua bancada, pois até então seus mandatos de representantes do povo seriam utilizados apenas para ratificar as vontades do executivo e não as de seus eleitores, o que também deverá causar alguns constrangimentos para esses vereadores.

É claro que essa situação ainda terá ainda alguns desdobramentos. Porém, é de se esperar que a normalidade volte ao plenário no decorrer desse ano. Se bem que em política tudo é possível, ainda mais em anos de eleições municipais.

Mais uma vez, é esperar para ver.

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