Álcool volta a ser vantajoso, mas francanos continuam na gasolina


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NA BOMBA - Placa mostra preço do litro da gasolina em posto de Franca: R$ 2,699. Combustível deixou de ser o mais vantajoso
NA BOMBA - Placa mostra preço do litro da gasolina em posto de Franca: R$ 2,699. Combustível deixou de ser o mais vantajoso

Embora o atual preço do álcool combustível torne vantajoso o seu consumo, os francanos ainda procuram mais pelas bombas de gasolina. Segundo dados do Sindicato dos Postos de Combustíveis, em 2011 foi registrado um aumento de cerca de 12% no consumo do derivado do petróleo. No cenário nacional, de acordo com o setor de Abastecimento da Petrobras, se comparados os períodos de janeiro de 2011 e janeiro de 2012, o aumento no consumo de gasolina saltou 36%.

Para saber como tem sido o comportamento do consumidor neste início de ano em Franca, o Comércio consultou cinco postos da cidade. Em três deles, 45% dos motoristas abastecem com o álcool, contra 55% da gasolina; um constatou equilíbrio na preferência e, o último, embora não tenha uma estimativa, observou maior procura pela gasolina.

O sobe e desce no preço do álcool é apontado como o motivo para a preferência dos francanos pela gasolina. A volatilidade no valor do combustível teria desestimulado os consumidores a fazerem as contas. “Três semanas atrás, a gasolina estava compensando mais que o etanol, mas há duas semanas houve queda no preço do álcool e, hoje, ele compensa mais”, disse o presidente do Sindicato dos Postos de Combustíveis, Marco Antônio Nascimento.

Para saber qual o combustível mais vantajoso na hora de abastecer, basta multiplicar o preço da gasolina por 0,7. Se o resultado desta conta for maior que o preço do álcool, verifica-se então que ele é o combustível mais em conta. Levando em consideração que a média de valor de ambos os combustíveis encontrada em Franca é respectivamente R$ 2,65 e R$ 1,74, o resultado da operação citada é de R$ 1,85, ou seja, superior ao preço do álcool. “Pela economia e rendimento em quilometragem, a gasolina traz mais vantagem. Embora varie muito a procura pelos dois aqui no posto, sentimos uma preferência por esse combustível”, afirmou o gerente do Galo Branco, Mateus Bombicino.

A telefonista Milene Sá mora na cidade vizinha de Nuporanga e trabalha em Franca. Mesmo com um carro flex, revela que poucas vezes abastece com etanol. “Eu viajo todos os dias, acredito que a gasolina rende mais. Mesmo sendo um pouco mais caro, eu prefiro. Nunca cheguei a encher o tanque com o álcool.”

NO BRASIL
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) divulgou ontem que o consumo de combustíveis no Brasil atingiu 121 bilhões de litros no ano passado. O volume é 3,4% superior ao constatado em 2010, quando o salto nas vendas chegou a 8,4% em relação ao registrado em 2009.

Segundo o diretor-geral da ANP, Allan Kardec, o baixo incremento do consumo está relacionado, principalmente, à queda “extraordinária” do consumo de etanol. O produto teve uma redução nas vendas de 13,8%. Só o álcool hidratado apresentou queda de 28,9%. O etanol anidro (adicionado à gasolina) registrou aumento de consumo de 18,3%. Allan Kardec atribui o recuo tanto à quebra de safra em 2011 quanto à crise internacional de 2008 que ainda provocou reflexos e diminuiu o ritmo da indústria nacional. Segundo ele, a expectativa é que o cenário se reverta ainda este ano.

“Se o preço do (etanol) hidratado cresce um pouco, você tem a migração para gasolina (que teve incremento de 18,8% do consumo entre 2010 e 2011). Hoje 50% da frota (de veículos) são (do tipo) flex, então o consumidor pode optar. Alguns poucos optam, ideologicamente, pelo biocombustível, mas a maioria opta, mesmo, pelo bolso”, disse Kardec.
 

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