O Carnaval não se originou no Brasil. Ao contrário, é bem mais antigo do que nossa nação. Alguns o atribuem aos gregos. Teria passado também pela Roma antiga e aos poucos foi ganhando o resto da Europa. No entanto, é difícil imaginar outro país que o comemore de forma tão intensa, como acontece entre nós.
Para alguns historiadores, sua origem está ligada à implantação da Semana Santa pela Igreja Católica. Como todos sabiam que iriam ficar um longo tempo longe dos prazeres da mesa e da carne, a ideia era comemorar intensamente os últimos dias antes das privações impostas pelo período da quaresma.
Nesse sentido, o período do carnaval ficou marcado pelo que se entendia como ‘adeus à carne’, ou do latim ‘carne vale’, expressão que acabou dando origem ao termo ‘carnaval’. Pode-se dizer, portanto, que o deleite, os prazeres mundanos e também o exagero já nasceram com a própria festa, o que a tornou muito bem recebida em nosso país, uma terra originariamente caracterizada por sacrifícios e precariedades.
Entre nós, começou com o nome de entrudo, uma festa medieval que já ocorria em Portugal e que por aqui foi tomando os mais variados formatos, desde os mais comedidos, mais afeitos às elites, até os mais populares e violentos, permeados por ‘guerras’ com todos os líquidos que existissem à disposição, inclusive sêmen e urina, um ritual que ainda resiste em algumas regiões do país no espírito das brincadeiras carnavalescas mais agressivas, como a ‘pipoca’ do carnaval baiano ou o ‘mela-mela’ da folia de Olinda.
No começo do século XX, ganhou nova roupagem. As incipientes escolas de samba, com seus enredos e seus carros alegóricos, começaram a destronar os ‘corsos’ que os mais abastados faziam pela cidade, com suas máscaras importadas dos carnavais europeus.
Daí em diante, até tornar-se um dos principais eventos turísticos do mundo globalizado, foi um pequeno passo. Sem perder totalmente o caráter popular, como ainda é possível perceber em muitas cidades brasileiras, onde as ruas se transformaram em pequenos mosaicos de nossa estrutura socioeconômica, industrializou-se rapidamente, como também é possível verificar em cidades como Rio de Janeiro, Olinda e Salvador.
De qualquer forma, manteve sua origem popular e sua aura democrática. Apesar dos vários ataques que recebeu ao longo dos séculos, continuou imponente, desafiando os poderosos e insistindo na alegria, no exagero e no desabafo, como se fosse uma forma de se energizar para as dificuldades que o ano ainda traria.
A despeito de todos os problemas e de todas as diferenças, ainda é possível dizer que no Carnaval brasileiro há espaço para todos. Pois então, desejamos um bom Carnaval àqueles que se dispuserem à folia. Que o espírito democrático da alegria invada o máximo de mentes e corações. E que dure um pouco mais do que apenas quatro dias.
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