Morreu às 9h18 de ontem, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto, o conhecido advogado criminalista e defensor de júri, Milton Dutra. Há duas semanas foi internado no Hospital Regional de Franca, atingido por grave doença hepática. Há quatro dias, foi transferido para o HC de Ribeirão Preto como última tentativa de reversão de seu quadro clínico, mas ele não resistiu.
Era filho de Arsênio Dutra e Joana Tomé Dutra, irmão de Hélio Wagner, Jair e Rosângela. Deixa viúva Nair Castro Couto Rosa Dutra, com quem teve 34 anos de casamento e três filhos, Fabíola (advogada, uma das gerentes do Bradesco, casada com José Alexandre Villar), Flávia (enfermeira do Hospital das Clínicas de Ribeirão, casada com Luís Cláudio Villar) e Milton Dutra Júnior (estudante do 4º ano de Direito da Unifran, faixa preta de Tae Kwon Do, atleta representante da cidade em Jogos Abertos e Regionais e detentor de títulos paulista e brasileiro da modalidade).
A exemplo de seus irmãos, Milton também escolheu o exercício da advocacia como atividade principal de sua vida. Formou-se pela Faculdade de Direito de Franca e, rapidamente, tornou-se profissional respeitado, primeiro especializando-se em criminalística e em defesa de júri – orgulhava-se dos mais de 60 julgamentos em que atuou – e, depois, dedicando tempo também ao associativismo pela união permanente da classe. Dirigiu com vários companheiros a Associação dos Advogados de Franca. Do trabalho resultou a primeira sede própria da entidade, erguida no Jardim Redentor. Milton não estava satisfeito. Queria levar o órgão à região do Fórum, visando oferecer a gama de serviços da associação ao maior número de associados possível. Apoiado pelo presidente Carlos Diniz, conseguiu excelente negociação e a sede própria acabou sendo transferida para o bairro São José. Ali, a entidade permaneceu ativa até o final da gestão que integrou. Confessava-se entristecido com o esvaziamento da associação nos últimos anos, imóvel duramente conquistado, desleixado. Queria, ainda, empreender trabalho para devolver-lhe dimensão de serviços, a mesma de outras épocas. Não houve tempo.
Ainda profissionalmente, exerceu mandato como tesoureiro junto aos advogados Mansur Jorge Said Filho e Ivan Cunha Souza, frente à OAB-Subseção de Franca. Por mais de 10 anos participou, também, do Lions Clube Cidade Nova.
Esportista, Milton teve um breve, mas intenso período como presidente da Associação Atlética Francana e outro, como presidente do Palmeirinhas, da rua Santos Pereira. Neste clube cercado de amigos e incentivadores, idealizou e ergueu obra comercial dotada de várias lojas. Queria garantir recursos financeiros à agremiação e o fez. Orgulhava-se deste trabalho.
Em casa, deixa saudade de seu perfil alegre e brincalhão, porém, concentrado e aconselhador, como contou Milton Júnior ao Comércio. “Papai era presente, comprometido com a família. Ensinou-nos o bom caminho. A mim, estimulou-me ao esporte e às artes marciais como caminho de disciplina e respeito às pessoas. Esteve sempre junto na ocasião das competições. Jamais será igual, mas devo seguir em frente, eu e meus irmãos, como ele gostaria que fosse”.
O corpo foi trasladado ontem para Franca. O velório, na sede da Casa do Advogado, OAB/Franca chega ao fim hoje, 10 horas, quando será sepultado no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras.
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