Greve da PM


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Considerando-se as demandas, os desejos e as necessidades da sociedade atual, bastante voltada para o consumo do supérfluo, é possível concordar que não apenas os policiais militares, mas também várias outras categorias de importantes trabalhadores estão com os salários bastante defasados.

Apesar de ser difícil comparar a importância e a remuneração recebida por cada uma dessas classes profissionais, todos elas importantes para o funcionamento do todo social, é inegável que o país apresenta distorções que precisam ser rapidamente corrigidas, sob pena de vermos os protestos e as reclamações se acirrarem ainda mais ao longo do tempo.

Os militares, no entanto, desempenham uma função de segurança, fundamental em um mundo em que a violência se intensifica cada vez mais. Se já está difícil com eles, com certeza ficaria bem pior sem eles.

Apesar de terem direito de lutar por melhores salários, uma vez que arriscam a própria vida no cotidiano de seu trabalho, não se pode concordar com o que ocorreu na cidade de Salvador.

Deixar a cidade nas mãos dos bandidos, como fizeram os policiais da capital baiana, é abandonar a sociedade à própria sorte, indefesa e sem condições de esboçar uma reação contra bandidos atualmente bastante armados e até com boa dose de ‘expertise’ e organização.

Os dados apurados até o momento mostram que, desde o início da paralisação, foram registrados mais de 150 homicídios na região metropolitana de Salvador, o que contabiliza um aumento de mais de 240% em relação ao mesmo período de 2011. Sem dúvida, um crescimento alarmante e claramente ligado à paralisação dos trabalhos policiais.

A despeito das divergentes interpretações constitucionais sobre a legalidade do direito de greve para as corporações militares, é imprescindível que as associações de policiais tenham mais responsabilidade e consideração para com suas respectivas comunidades.

Pelo que pôde ser apurado até agora, em Salvador parece que essa racionalidade foi totalmente extrapolada. Para além da invasão da Assembleia Legislativa, um dos principais símbolos da ordem democrática, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça mostram líderes grevistas tentando organizar atentados contra a ordem pública para obter apoio da população.

Se essas articulações se confirmarem, é imprescindível que se tomem todas as providências para punir os culpados e evitar que situações como essas se repitam, pois além de atentar contra a vida e o patrimônio do indivíduo e da própria sociedade, denigre também a honra e a moral da própria corporação policial, que sem dúvida vai muito além dessas irresponsáveis e indecorosas ações de alguns policiais.

Nesses momentos de luta e tensão, é importante que todos mantenham a cabeça no lugar. No mundo democrático há vários caminhos para protestos e reclamações. Tentar partir para a força é simplesmente jogar por terra todo o esforço de diálogo que viemos construindo ao longo do tempo.

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