‘O Sidnei tentou puxar o meu tapete’, diz Engler


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O deputado Roberto Engler falou com o Comércio ontem à tarde e revelou sua mágoa com o prefeito Sidnei Rocha. Confira os principais pontos da entrevista.

Comércio - Por qual motivo o senhor tomou a decisão de não disputar as prévias do PSDB?
Roberto Engler -
Os motivos são muito claros. Para haver uma candidatura a prefeito, é preciso ter uma convergência. O partido como um todo, os amigos, familiares e a população, evidentemente, precisam pedir a mesma coisa. Sou fundador do PSDB em mais de 30 cidades, estou no sexto mandato como deputado e era natural que eu fosse consultado a respeito. Eu fiz um acordo com o Sidnei, anunciado na Câmara, durante a nossa convenção: eu o indicava para a presidência do partido, como aconteceu, e ele indicaria o sucessor, desde que eu não fosse me candidatar. Mas, de forma surpreendente, numa terça-feira, quando eu já estava em São Paulo, o prefeito convocou uma reunião do diretório, de um pequeno grupo do diretório, constituído de pessoas que ele filiou ao partido, a maioria da própria Prefeitura, e indicou três pré-candidatos. Foi uma agressão ao que nós havíamos combinado. Neste instante, ele deu o recado: ‘eu não quero o Roberto Engler’. Se no meu partido tem uma pessoa de grande importância, muito bem avaliada como é o prefeito, que dá uma demonstração inequívoca como esta, não há convergência. Não há ambiente para você, pelo menos, pensar na disputa.
É uma coisa estranha. Há uns dez anos, o Sidnei estava fora da política. Eu fui buscá-lo e o apoiei na eleição contra o Gilmar Dominici. Quatro anos depois, voltei a procurar o Sidnei e o filiei no PSDB, sou padrinho dele no PSDB. Indiquei o Sidnei como presidente do partido e, logo em seguida, a contrapartida que ele me deu foi tentar puxar o meu tapete. Ele trabalhou contra mim para ser o coordenador regional do PSDB. Fez de tudo para que eu perdesse, mas tive que infligir uma derrota ao Sidnei. Foi uma derrota a ele. Não sei por que fez isto. Vou continuar meu trabalho como deputado, mas estou fora das prévias.

Comércio - O senhor se sente traído pelo Sidnei Rocha?
Roberto Engler -
Eu não usaria a palavra traição, mas acho muito estranha a atitude dele. Quem ofereceu a ele todas as oportunidades, o tempo todo, não merecia como resposta o que ele está oferecendo. Acho profundamente estranho e o partido também. Nas prévias, apareço em primeiro lugar. Os três pré-candidatos do Sidnei aparecem em situação difícil. O presidente do partido e o próprio governador querem conversar comigo, mas não adianta. A decisão tem um caráter doméstico, tem que ser resolvida em casa. É preciso ter convergência, mas esta convergência está furada pela posição do prefeito Sidnei Franco da Rocha. Então, estou fora.

Comércio - É verdade que o senhor não fala com o Sidnei desde agosto?
Roberto Engler -
É verdade. Se o indiquei para presidente do PSDB, era natural que esperasse dele a gentileza de me indicar para coordenador. No entanto, ele não o fez. Quando joguei minha candidatura, o prefeito e seu grupo se colocaram contrários, tentando me derrubar. O resultado da eleição para a coordenadoria foi uma derrota para o Sidnei. Tivemos que dar uma derrota para o Sidnei. A partir desta derrota, nunca mais conversamos. Esta é a realidade. Por que ele não conversa comigo há seis meses? Não sei. Por que ele tentou me derrubar da coordenaria? Não sei. Por que ele falhou comigo lançando três pré-candidatos antes de eu dar uma resposta? Não sei. Têm coisas que não sou eu que respondo. É preciso perguntar para ele.
 

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