Roberto Engler ataca prefeito Sidnei e expõe crise no PSDB


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LEMBRANÇAS - Sidnei Rocha aplaude Engler durante eleição do diretório em março: sinal de amizade entre os tucanos, agora, só em foto de arquivo
LEMBRANÇAS - Sidnei Rocha aplaude Engler durante eleição do diretório em março: sinal de amizade entre os tucanos, agora, só em foto de arquivo

O deputado estadual Roberto Engler (PSDB) confirmou notícia antecipada com exclusividade pelo Comércio, publicada dia 3 de dezembro, na reportagem Eleitores querem deputados francanos fora da Prefeitura, e descartou sua candidatura a prefeito nas eleições de outubro. Na segunda-feira, durante almoço com alguns profissionais de imprensa, evento para o qual o Comércio não foi convidado, o tucano disse mais uma vez que está fora das prévias internas que irá indicar, em março, o representante do partido para a sucessão municipal. Ontem, em nova entrevista ao Comércio, o parlamentar, que sonha em encerrar a carreira política como prefeito, atribuiu sua retirada da corrida eleitoral deste ano ao prefeito Sidnei Rocha, que também é o presidente do diretório municipal do PSDB. “É preciso ter convergência, mas esta convergência está furada pela posição do prefeito Sidnei Franco da Rocha. Então, estou fora.”

A afirmação feita a 20 dias da abertura do prazo para as inscrições nas prévias escancara o racha interno existente no ninho tucano. Até então, o deputado e o prefeito evitavam fazer comentários públicos sobre a crise instalada no partido, que enfrenta dificuldades para indicar um nome para as pró-ximas eleições.

A relação entre Sidnei e o deputado, abalada desde 1987 quando o então vereador Engler liderou o grupo que negou o pedido de licença feito à Câmara e obrigou o prefeito a renunciar ao cargo para assumir a presidência da Vasp, parece ter ruído de vez. Foram dois os motivos. Primeiro, a tentativa do prefeito de assumir a coordenadoria regional do PSDB em agosto passado. Ambos não se falam desde a disputada vencida por Engler, encerrada na urna. A gota d’água se deu em outubro quando o prefeito lançou os secretários Alexandre Ferreira, Valéria Marson e Sebastião Ananias como pré-candidatos do partido.

Engler havia pedido um tempo para avaliar se disputaria as eleições e sentiu-se traído com a antecipação do prefeito, que não teria cumprido a palavra dada ao companheiro de partido. “Eu fiz um acordo com o Sidnei, anunciado no plenário da Câmara, durante a nossa convenção: eu o indicava para a presidência do partido, como aconteceu, e ele indicaria o sucessor, desde que eu não fosse me candidatar. Mas, de forma surpreendente, ele indicou três pré-candidatos. Foi uma agressão ao que nós havíamos combinado”, disse Engler.

O deputado também revelou que as feridas abertas durante a eleição da coordenaria regional do PSDB, em que o prefeito fez campanha para Edvaldo Costa, que está rompido com Engler, não foram cicatrizadas. “Indiquei o Sidnei como presidente do partido e, logo em seguida, a contrapartida que ele me deu foi tentar puxar o meu tapete. Ele fez de tudo para que eu perdesse, mas tive que infligir uma derrota ao Sidnei.”

É neste clima pesado entre os dois caciques do PSDB na cidade que o partido realizará suas prévias. Engler disse que, mesmo fora da disputa, irá trabalhar pela vitória do candidato tucano. Sidnei Rocha foi procurado ao longo de toda a tarde de ontem, mas se recusou a comentar as acusações feitas pelo deputado.
 

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