Velório abandonado


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Como ironiza a reportagem publicada por este Comércio no domingo, 12/02, a história do velório construído no Jardim Paulistano faz lembrar um pouco o enredo da novela O Bem Amado, exibida pela Globo nos anos 70. Mas, se na trama de Dias Gomes o problema era a falta de um defunto para inaugurar o cemitério da cidade de Sucupira, em Franca o problema é bem diferente. Não faltam corpos, infelizmente, faltam apenas disposição e coragem por parte dos moradores desse bairro para enfrentarem a noite de vigília em um local que acreditam ser isolado, de difícil acesso, mal iluminado e inseguro.

Como resultado, apesar de ter sido entregue há quase um ano, o velório ainda não foi utilizado. Segundo os moradores ouvidos pela reportagem, ninguém se arriscou a velar seus entes queridos em suas dependências.

Mais uma vez, estamos diante de um caso de desperdício de dinheiro público. Um velório que não serve para velar, assim como ambulâncias que não saem da garagem, de nada servem para a população. Ao contrário, apenas oneram ainda mais a sua vida, já que o pesado dinheiro dos impostos vai sendo em vão corroído pelo tempo.

Dentro desse contexto, seria importante alertar para a importância de se ouvir a comunidade quando se pensa em uma obra especificamente direcionada para ela, como é o caso desse velório. Ainda segundo a reportagem, os moradores do bairro chegaram a fazer um abaixo-assinado para tentar impedir não a construção do velório, mas sim a mudança de local, de tal forma que a obra viesse a oferecer mais segurança depois de pronta.

Em função dessa solicitação, a Prefeitura poderia ter optado por um desses dois caminhos possíveis. Poderia ter mudado o local da obra, caso houvesse espaço disponível, ou poderia ter se atentado um pouco mais para as características do local, cercando-o de mais cuidados, como iluminação mais intensa, muros de proteção mais altos, corte regular do mato que invade as cercanias, melhor acessibilidade...

Sabemos que nos dias de hoje temos tecnologia para transformar qualquer lugar em um espaço mais acessível e seguro, a despeito das condições topográficas e dos problemas de suas imediações. Mas a prefeitura finalizou a obra sem dar atenção às demandas dos moradores e acabou tendo nas mãos um grande ‘elefante branco’.

É inegável que a atual administração deixa um legado de obras importantes na cidade. Porém, parece que nesse caso acabou pecando. Dos males, o menor. Esse é um ‘pecado’ que pode ser facilmente desculpado. É só estudar um pouco melhor a obra e fazer os investimentos necessários para torná-la mais segura e acessível.

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