A briga entre os mototaxistas de Franca e a Secretaria Municipal de Segurança e Cidadania parece estar longe de um fim. Na sexta-feira, a informação de que todos os profissionais do setor terão que passar por um curso de formação teórica em Ribeirão Preto para ter direito à renovação do alvará e continuar trabalhando causou uma nova enxurrada de reclamações.
O curso é uma exigência do Detran (Departamento Nacional de Trânsito) e do Contran (Conselho Nacional de Trânsito). O problema é que em Franca não há nenhuma entidade autorizada a ministrá-lo. A unidade mais próxima e que tem essa autorização é o Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem de Transporte), em Ribeirão. “Pelo que o secretário (Sérgio Buranelli) determinou, teremos que viajar para lá e ficar na cidade pelo menos três dias. Vamos gastar com a viagem, a hospedagem, alimentação e ainda perderemos os dias de trabalho. Não vamos aceitar isso e não iremos até Ribeirão”, disse Paulo Roberto Custódio, presidente da Associação de Mototaxistas de Franca.
A Associação ainda não fez os cálculos de quanto cada profissional terá de gastar. “Eu estou indo para Ribeirão nos próximos dias para fazer essa conta. De qualquer forma, esse é um valor que não temos condições de pagar”, disse Custódio. Segundo ele, 533 mototaxistas terão que passar pelo curso.
Como alternativa, o presidente disse que propôs ao secretário de Segurança, Sérgio Buranelli, que os professores do Senat venham a Franca ministrar as aulas. “Nós nos juntaríamos para custear a viagem e a hospedagem deles aqui por uma semana. A Prefeitura poderia cobrar uma taxa de inscrição. Ficaria muito mais fácil para a gente. Gastaríamos bem menos e ainda não perderíamos os dias de trabalho.”
Buranelli disse que não é possível transferir o curso para Franca. “A sede do Senat é lá em Ribeirão Preto. O órgão atende, além de Franca, 82 cidades da região. Não temos como trazer a estrutura para cá. Eles (os mototaxistas) terão de se deslocar.”
Buranelli disse que o curso será feito em três dias e que as inscrições já estão abertas para as 510 vagas disponíveis na primeira turma. “Estamos aguardando as agências de mototaxistas trazerem a documentação do pessoal para montarmos as turmas. Serão 24 alunos por sala.”
Sobre o fato dos mototaxistas se recusarem a ir até Ribeirão Preto, o secretário disse que essa questão será tratada em uma reunião com o promotor de Justiça, Paulo César Corrêa Borges. “Eu estou cumprindo o que determina a lei. Agora vamos levar essa questão ao promotor e ver o que ele decide.”
A reunião está marcada para esta quarta-feira, às 14 horas. No encontro, também deve ser definida a situação dos mototaxistas que estão com o alvará da Prefeitura vencido desde o dia 31 de janeiro. “Como ainda não terão feito o curso, precisamos ver com o promotor como ficará a situação desse pessoal”.
Os mototaxistas que tem o alvará vencido antes desta data continuam sujeitos à fiscalização e, se forem flagrados, poderão ter suas motos apreendidas.
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