No começo dos anos 70, a hilariante história do prefeito Odorico Paraguaçu, que se elegeu com a promessa de construir o cemitério da fictícia cidade de Sucupira na novela O Bem Amado, tornou-se sucesso de público na televisão. A obra, depois de pronta, não podia ser inaugurada porque ninguém morria. Em Franca, em enredo real, que faz lembrar a ficção, está se desenrolando há quase um ano e envolve dinheiro público.
Entregue em abril, o velório do Jardim Paulistano nunca abriu suas portas e encontra-se abandonado. O prédio custou R$ 150 mil. O problema não é a falta de gente para velar, mas o fato de ninguém querer assumir a administração do velório. Os moradores vizinhos também não fazem a menor questão de usar o prédio. Alegam que o local é inseguro.
O velório começou ser construído em 2010 por meio de um parceria entre a Prefeitura e o governo do Estado, que liberou os recursos. Obras semelhantes foram feitas no Parque Vicente Leporace e no Jardim Aeroporto. Ao contrário do Paulistano, os outros dois estão em funcionamento.
A Prefeitura repassou a administração dos velórios municipais para entidades sem fins lucrativos, como centros comunitários associações e igrejas. Elas recebem um subsídio do município e cobram uma taxa simbólica dos usuários para ajudar nas despesas de conservação.
Mas, nenhuma entidade quis adotar o velório do Paulistano. Desde o início, a construção foi questionada por causa do local escolhido. O prédio foi feito em um terreno de difícil acesso, mal iluminado e cercado por mato na divisa do bairro com o Jardim Brasilândia. São poucos os que se arriscam a passar pelo local à noite. Vizinhos dizem que chegaram a fazer um abaixo assinado para impedir o “investimento”. Não foram ouvidos.
Resultado é que o velório se transformou em um elefante branco, ou melhor, verde, que é a cor dos muros e paredes. A depredação é uma questão de tempo. Um cadeado no portão e espirais cortantes dificultam a entrada de desocupados. Do lado de fora é possível ver vidros quebrados e o mato tomando conta do terreno. O espaço reservado para o estacionamento está na mesma situação.
“É um desperdício de dinheiro. Nós cansamos de pedir para que fosse construído um parque ou um campo de futebol. Ninguém vai querer velar um ente querido no meio do mato”, afirmou a dona-de-casa Dirce Caetano da Silva.
A Prefeitura informou que a parte administrativa está sendo concluída para que o velório possa entrar em operação, mas não estipulou uma data. Enquanto isto, moradores da zona leste são obrigados a se dirigir ao Cemitério Santo Agostinho ou ao Velório São Vicente, no Centro.
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