Samba e pagode atrai fãs nos quatro cantos da cidade


| Tempo de leitura: 3 min
CARNAVAL 2012 - Parte dos integrantes da banda Nó na Gota, que vai animar o pós desfile em frente ao Fernando Costa
CARNAVAL 2012 - Parte dos integrantes da banda Nó na Gota, que vai animar o pós desfile em frente ao Fernando Costa

Para algum desavisado samba e pagode pode até parecer a mesma coisa, mas um bom sambista ou pagodeiro, embora a maioria curta os dois ritmos, sabe bem as diferenças. O primeiro é mais antigo, foi trazido ao Brasil na época da escravidão por negros do Congo e da Angola. Com o passar dos anos - e com a influência dos portugueses -, novos instrumentos foram sendo incorporados, deixando o samba africano com a cara dos brasileiros. O pagode, bem mais recente, é uma vertente mais romântica do samba.

Em Franca, onde a maioria dos jovens prefere o chapéu e a bota da música sertaneja, as correntes de prata e as camisetas regata - “uniforme” do pagode -também encontram espaço nos quatro cantos da cidade durante praticamente toda a semana. As irmãs Daiane e Dariane Caroline Terencio, de 22 anos, estão acostumadas a participar desse circuito, que começa na terça-feira, na boate Arenna, no Distrito Industrial, e termina no domingo, na bolota do Redondo, no Jardim Petráglia.

Tanto é verdade que Daiana conta que em muitos lugares já nem paga mais a entrada, tem “carteirinha vip” de sambista-pagodeira. “Não somos a maioria, então acabamos conhecendo todo mundo e isso tem suas vantagens. Não pagar convite é uma delas”, afirma. Mas mesmo quem paga a entrada nestes lugares não desembolsa um valor muito alto: geralmente não passa de R$ 10. Cerveja, água e refrigerante, as bebidas mais consumidas no pagode, também têm preço sugestivo, R$ 3, no máximo.

A turma do pagode, assim como acontece com os roqueiros e os sertanejos, preserva suas características. Para os homens, o traje típico é a camiseta regata. Para as mulheres, vestido ou shorts curto. Essa sensualidade, de acordo com os próprios pagodeiros, tem mais a ver com o calor causado pela dança do que com exibicionismo.

Daiane hoje samba no salto 15, mas a música faz parte da sua vida desde muito pequena. A primeira lembrança dela é de um pagode na casa da família, quando tinha dois anos de idade e foi flagrada por familiares dançando até o chão ao som do pandeiro. O amor pelo ritmo, aliás, é coisa de família. Além da irmã gêmea, ela tem a companhia dos primos quando sai do Parque Vicente Leporace para ir aos pagodes em outros cantos da cidade.

Para a auxiliar administrativa Giseli Silva, 25, a popularização dos lugares que recebem esse tipo de música em Franca é a maior prova de que há, sim, lugar para pagode na terra do sertão. A bagunça começa geralmente na terça-feira, com shows na boate Arenna, no Distrito Industrial; dois dias depois, na quinta, o som é na bolota do Redondo, no Jardim Petráglia; na sexta-feira, os pagodeiros se reúnem na casa de eventos Up Lounge, no Santo Agostinho.

No sábado, a festa acontece novamente na Up ou em outra boate, a Contramão, no centro da cidade. Domingo, a reunião de sambistas é novamente no Redondo. O Boteco do Lu, no Complexo Galo Branco, e a lanchonete Baru, na Major Nicácio, eventualmente também recebem bandas de samba e pagode. Além destes locais, nesta época do ano há ainda pagode após os ensaios das escolas de samba, nas comunidades.

ESTILO PAGODE
Homens com correntes e pulseiras grossas de prata, camisetas regata em cores variadas, bermuda ou calça saruel e tênis nos pés. Mulheres com shorts ou saias jeans curtas usadas com tops ou ainda vestidos de tecido leve igualmente curtos, e salto - de 15 centímetros, geralmente, - nos pés. Assim se veste a maioria dos frequentadores de samba e pagode na cidade e o público alvo geralmente tem entre 18 e 28 anos. “Cada lugar tem um público característico, mas comum a todos é o pessoal que vai para se acabar na dança e se divertir”, afirma Daiane.
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários