Com a graça de Deus, mais um domingo. Ao coração acolhedor que Deus possui queremos nos consagrar, para que nossas atitudes sejam de acolhida e nunca de afastamento dos outros
A lição principal da Palavra de Deus, neste domingo, vem sobre a conduta que os antigos possuíam no tratamento de uma terrível doença que era a lepra. Ela era entendida como um mal físico que revelava uma situação de castigo como fruto do pecado. Essa mentalidade estava correta?
PRIMEIRA LEITURA
Em todos os povos, os leprosos foram considerados impuros e afastados da comunidade por medo que pudessem contaminá-la. Ninguém os tolerava perto de si, nem vivos, nem mortos.
A leitura (Lv 13) nos explica como se comportavam os israelitas com esses doentes. Era função dos sacerdotes confirmar quem estivesse atacado pela lepra e tomar a decisão de afastá-lo da comunidade. Quem apresentava sintomas suspeitos não podia morar nas aldeias e era obrigado a viver em grutas, nos bosques, cobrindo-se de roupas esfarrapadas; não podia pentear-se para poder ser identificado, mesmo a distância.`Se por acaso cruzava com alguém, devia gritar: “Sou impuro! Sou impuro!”
A marginalização à qual eram submetidos esses doentes era determinada por um motivo muito mais importante: os leprosos eram considerados como amaldiçoados por Deus porque tidos como culpados por graves pecados.No corpo dos leprosos as úlceras representavam o ferrete vergonhoso do próprio pecado, sinal de que deviam ser rejeitados e marginalizados em nome de Deus.
Em todos os povos, os leprosos foram considerados impuros e afastados da comunidade por medo que pudessem contaminá-la. Ninguém os tolerava perto de si, nem vivos, nem mortos.
A leitura (Lv 13) nos explica como se comportavam os israelitas com esses doentes. Era função dos sacerdotes confirmar quem estivesse atacado pela lepra e tomar a decisão de afastá-lo da comunidade. Quem apresentava sintomas suspeitos não podia morar nas aldeias e era obrigado a viver em grutas, nos bosques, cobrindo-se de roupas esfarrapadas; não podia pentear-se para poder ser identificado, mesmo a distância.`Se por acaso cruzava com alguém, devia gritar: “Sou impuro! Sou impuro!”
A marginalização à qual eram submetidos esses doentes era determinada por um motivo muito mais importante: os leprosos eram considerados como amaldiçoados por Deus porque tidos como culpados por graves pecados.No corpo dos leprosos as úlceras representavam o ferrete vergonhoso do próprio pecado, sinal de que deviam ser rejeitados e marginalizados em nome de Deus.
SEGUNDA LEITURA
Os versículos contidos nessa leitura (I Cor 10, 31-11,1) constituem a conclusão de um longo discurso de Paulo sobre o problema dos sacrifícios que os pagãos oferecem aos ídolos. Os cristãos não sabem o que fazer: podem comprar qualquer tipo de carne disponível no mercado ou devem antes verificar se sua procedência é dos templos dos deuses? O argumento dos cristãos de Corinto é simples: se os ídolos não existem, não há motivo para deixar de comer os restos dos sacrifícios oferecidos em sua honra. Paulo concorda. Entretando, afirma que o cristão não deve fazer tudo aquilo que tem direito porque o amor fraterno pode obrigá-lo a algumas renúncias. Em concreto: se determinados modos de agir prejudicam um irmão, devem ser evitados.
Os versículos contidos nessa leitura (I Cor 10, 31-11,1) constituem a conclusão de um longo discurso de Paulo sobre o problema dos sacrifícios que os pagãos oferecem aos ídolos. Os cristãos não sabem o que fazer: podem comprar qualquer tipo de carne disponível no mercado ou devem antes verificar se sua procedência é dos templos dos deuses? O argumento dos cristãos de Corinto é simples: se os ídolos não existem, não há motivo para deixar de comer os restos dos sacrifícios oferecidos em sua honra. Paulo concorda. Entretando, afirma que o cristão não deve fazer tudo aquilo que tem direito porque o amor fraterno pode obrigá-lo a algumas renúncias. Em concreto: se determinados modos de agir prejudicam um irmão, devem ser evitados.
EVANGELHO
Curar um leproso era tão difícil como ressuscitar um morto, obra exclusiva de Deus. Para um israelita, portanto, a cura de um leproso era um “sinal” que o esperado Reino de Deus tinha chegado ao mundo. O evangelho deste domingo (Mc 1) nos conta como aconteceu o fato do tipo: um leproso, contrariando as disposições da lei, se aproxima de Jesus e, de joelhos, implora para “ser purificado”. Observemos bem: não pede a cura; pede para “ser purificado”, isto é, ser reconduzido a fazer parte da comunidade humana. Mais do que a doença em si, o que mais o angustia é o fato de sentir-se excluído da sociedade civil e religiosa.
Diante do seu pedido, Jesus se comove, estende a mão, toca-o e lhe restitui a saúde. O Deus que se manifesta em Jesus não é o dos fariseus: distante, irado, rígido contra os que erraram, distante daqueles que são considerados impuros. É um Deus que não sente repugnância dos “leprosos”. Ao contrário, cumula-os de carícias, porque, em cada ser humano, mesmo naquele que mais fundo se precipitou nos abismos do pecado, sabe descobrir uma obra-prima de beleza, um filho extraordinariamente amável.
No início da sua vida pública, na hora do batismo de João, Jesus mostrou sentir-se perfeitamente bem ao lado das pessoas impuras. Então, nunca se afastou dos publicanos, dos pecadores, das prostitutas. O discípulo de Cristo tem como missão tornar presente no mundo o Mestre. Ensinou-nos, então, sobre a convivência para transmitir o nosso amor. Só pelo amor, “doentes” poderão ser recuperados para a vida.
Como aos exorcizados, Jesus proíbe ao ex-leproso publicar o que sua autoridade operou. Manda o homem oferecer o sacrifício prescrito para oficializar sua reintegração na comunidade. Jesus lhe proíbe publicar o ocorrido, porque a publicidade desvia a percepção da verdadeira personalidade de Jesus (que não apenas cura, mas também assume o sofrimento humano). Mas o ex-leproso não é capaz de silenciar. Quem poderia esconder tanta felicidade? Até então marginalizado, encontrou a reintegração e aproveitou-a para contar o que lhe acontecera. Mais: Jesus foi ocupar o lugar do leproso nos “lugares desertos”.
Esse episódio faz pressentir a crescente e mortal oposição das autoridades religiosas: Jesus sabe o que é bem do homem melhor do que a Lei, segundo a interpretação dos escribas. Por autoridade própria, reintegra a pessoa que a letra da Lei marginalizava. Restaura a comunhão com o excomungado, passando para trás os que tinham o monopólio da reintegração. Aceitar este Jesus significa aceitar alguém que supera as mais altas autoridades religiosas. Nesse sentido, a cura da lepra funciona como um sinal: significa que, de fato, Jesus está acima das prescrições legais e pode prescindir delas.
Na cultura dos nossos dias o desprezo e o distanciamento dos leprosos praticamente desapareceram. Entretanto, certas formas de marginalização continuam existindo. Há, com certeza, perto de nós, alguém que vive isolado e que todos evitam como se fosse impuro. Talvez isso aconteça por ser ele antipático ou por ter instinto perverso que resulta num comportamento prejudicial a ele mesmo, á sua família e à comunidade. Sentimo-nos tentados a abandoná-lo, a não fazer nada pela sua recuperação, a não prestar-lhe ajuda para que possa conduzir-se de uma forma socialmente civilizada.
Curar um leproso era tão difícil como ressuscitar um morto, obra exclusiva de Deus. Para um israelita, portanto, a cura de um leproso era um “sinal” que o esperado Reino de Deus tinha chegado ao mundo. O evangelho deste domingo (Mc 1) nos conta como aconteceu o fato do tipo: um leproso, contrariando as disposições da lei, se aproxima de Jesus e, de joelhos, implora para “ser purificado”. Observemos bem: não pede a cura; pede para “ser purificado”, isto é, ser reconduzido a fazer parte da comunidade humana. Mais do que a doença em si, o que mais o angustia é o fato de sentir-se excluído da sociedade civil e religiosa.
Diante do seu pedido, Jesus se comove, estende a mão, toca-o e lhe restitui a saúde. O Deus que se manifesta em Jesus não é o dos fariseus: distante, irado, rígido contra os que erraram, distante daqueles que são considerados impuros. É um Deus que não sente repugnância dos “leprosos”. Ao contrário, cumula-os de carícias, porque, em cada ser humano, mesmo naquele que mais fundo se precipitou nos abismos do pecado, sabe descobrir uma obra-prima de beleza, um filho extraordinariamente amável.
No início da sua vida pública, na hora do batismo de João, Jesus mostrou sentir-se perfeitamente bem ao lado das pessoas impuras. Então, nunca se afastou dos publicanos, dos pecadores, das prostitutas. O discípulo de Cristo tem como missão tornar presente no mundo o Mestre. Ensinou-nos, então, sobre a convivência para transmitir o nosso amor. Só pelo amor, “doentes” poderão ser recuperados para a vida.
Como aos exorcizados, Jesus proíbe ao ex-leproso publicar o que sua autoridade operou. Manda o homem oferecer o sacrifício prescrito para oficializar sua reintegração na comunidade. Jesus lhe proíbe publicar o ocorrido, porque a publicidade desvia a percepção da verdadeira personalidade de Jesus (que não apenas cura, mas também assume o sofrimento humano). Mas o ex-leproso não é capaz de silenciar. Quem poderia esconder tanta felicidade? Até então marginalizado, encontrou a reintegração e aproveitou-a para contar o que lhe acontecera. Mais: Jesus foi ocupar o lugar do leproso nos “lugares desertos”.
Esse episódio faz pressentir a crescente e mortal oposição das autoridades religiosas: Jesus sabe o que é bem do homem melhor do que a Lei, segundo a interpretação dos escribas. Por autoridade própria, reintegra a pessoa que a letra da Lei marginalizava. Restaura a comunhão com o excomungado, passando para trás os que tinham o monopólio da reintegração. Aceitar este Jesus significa aceitar alguém que supera as mais altas autoridades religiosas. Nesse sentido, a cura da lepra funciona como um sinal: significa que, de fato, Jesus está acima das prescrições legais e pode prescindir delas.
Na cultura dos nossos dias o desprezo e o distanciamento dos leprosos praticamente desapareceram. Entretanto, certas formas de marginalização continuam existindo. Há, com certeza, perto de nós, alguém que vive isolado e que todos evitam como se fosse impuro. Talvez isso aconteça por ser ele antipático ou por ter instinto perverso que resulta num comportamento prejudicial a ele mesmo, á sua família e à comunidade. Sentimo-nos tentados a abandoná-lo, a não fazer nada pela sua recuperação, a não prestar-lhe ajuda para que possa conduzir-se de uma forma socialmente civilizada.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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