Nas últimas semanas, várias matérias publicadas por este Comércio mostraram que existem profundas divergências entre a Prefeitura e a Guarda Civil de Franca, pelo menos em relação a alguns de seus membros.
No domingo, 29/01, agentes ouvidos por este jornal disseram haver abuso de poder por parte do poder municipal. Segundo eles, haveria uma auditoria interna com o objetivo de punir ou constranger os guardas que porventura resolvam reclamar ou contestar as ordens do responsável pela secretaria de Segurança e Cidadania, o tenente Sérgio Buranelli. Além disso, a Prefeitura estaria realizando um sucateamento ‘planejado’ de alguns veículos comprados com verba federal, tudo para esvaziar as funções da Guarda Civil, supostamente para mostrar que ela realmente deveria ser extinta, como já expressou o prefeito municipal em outras ocasiões.
Na terça-feira, 31/01, Buranelli contestou as acusações. Concordou que existe uma auditoria paralela, mas negou que haja abusos. Negou, também, que os veículos citados pelos agentes municipais estejam sendo sucateados. Para o secretário, as acusações viriam de um grupo de guardas que estariam eternamente insatisfeitos.
Fica difícil saber quem está blefando, falando a verdade ou exagerando enquanto as denúncias e as negativas não forem investigadas a fundo. Seja como for, a situação merece por parte da prefeitura e de outras autoridades competentes uma atenção maior. Seja para apurar se há, realmente, por exemplo, desvio de função, como alegado pelos profissionais ou, por outro lado, descobrir se os agentes exageraram em suas acusações. Em qualquer das situações, é necessária a clara manifestação do prefeito. Até porque ele manifestou, há alguns meses, a possível extinção da Guarda, uma vez que ele próprio não conseguia atribuir a ela funções que julgava importantes.
De acordo com os agentes, antes a Guarda Civil fazia o transporte de pessoas carentes, ajudava o pessoal do Conselho Tutelar em suas abordagens, vigiava os prédios públicos e também fiscalizava o trânsito. Atualmente, a função do efetivo se resumiria em ficar parado na frente aos gabinetes e prontos-socorros. Isso é fato? Se é fato, quem assumiu as funções elencadas? Se essas antigas funções estiverem sendo executadas por outros funcionários, há realmente que se questionar a necessidade de se ter uma Guarda Civil, sobretudo após a Câmara Municipal ter proibido esses guardas de aplicarem multas de trânsito, algo que seria importante para minimizar a violência de nossas ruas e avenidas. Se, por outro lado, há atividades como essas sem efetivo para desempenhá-las, não seria o caso de reavaliar a atuação da Guarda e dar a ela uma função útil?
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