As frequentes arruaças de adolescentes e o enfrentamento à polícia na região do Distrito Industrial, na saída para Restinga, deixaram quem precisa trabalhar ou viver naquele local com medo. Comerciantes, moradores e trabalhadores convivem com a falta de segurança e dizem que a ousadia dos jovens aumenta a cada dia.
A mais recente ocorrência aconteceu na madrugada do último domingo quando o grupo de cerca de mil adolescentes ocupou uma das pistas da avenida Severino Tostes Meirelles e impediu o trânsito de veículo. Os motoristas que insistiam em quebrar o “bloqueio” tinham, segundo testemunhas, seus carros quase virados pelos jovens. A polícia foi chamada. A confusão terminou com 15 pessoas detidas, seis delas menores com idades entre 15 e 16 anos.
O dono do posto invadido pelos adolescentes ao fugirem da polícia disse que a situação no local está insustentável. “Eles ficam descontrolados. As pessoas ainda não têm a dimensão do que está acontecendo aqui. Estamos correndo risco. Não só eu, mas também meus funcionários e clientes.”
Segundo ele, o grupo de jovens começa a se aglomerar na avenida por voltas das 23 horas. “Eles chegam em carros e motos. Trazem os isopores com bebidas alcóolicas no porta-malas. Estacionam e ligam o som no último volume. Não respeitam ninguém.”
O empresário diz que basta a polícia se aproximar para que o grupo se arme com pedras e garrafas de cerveja. “Eles não querem saber. Enfrentam mesmo. Saem tacando tudo.”
Por conta das ocorrências, o dono do posto não consegue mais contratar funcionários para trabalhar no turno da noite. “Ninguém quer. Os que aceitam logo desistem quando veem como é o clima no fim de semana. Vão embora com medo.”
Um dos frentistas que ainda trabalham no local diz que vive preocupado. “Eu ultimamente quando saio de casa não sei de que jeito vou voltar, se vivo ou aleijado. Estou trabalhando com medo. No domingo, eles atiraram o tijolo de paralelepípedo na bomba de combustível, mas poderiam ter acertado a cabeça de um de nós, que estamos trabalhando.”
O frentista conta que se pudesse deixaria o emprego. “O problema é que tenho família para sustentar. Mas está muito difícil. Trabalho o tempo todo com medo de morrer ou ser machucado. Nós ficamos no meio da confusão. Não temos nem para onde correr.”
O frentista conta que a aglomeração de jovens acontece todos os fins de semana. “Às sextas e sábados sempre há confrontos. Esses menores provocam a polícia, depois se armam com tijolos e garrafas. Acontece a confusão, eles vão embora, mas dali uma hora estão de volta fazendo a mesma coisa. Tem crianças a partir de 10 anos ali. Fico me perguntando se elas têm pais ou são filhos de chocadeiras, porque não me conformo.”
No posto da frente, a situação se repete. Os depoimentos são os mesmos e os medos também. “Meu sonho é conseguir trabalhar em paz, ter sossego e voltar para minha família bem. Mas aqui não dá. Esse pessoal é um inferno”, disse outro frentista.
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