Parece novela. Mas daquelas ruins, de enredo fraco e sem consistência. Os vereadores de Franca vão tentar mudar a data de sua sessão semanal, algo que já fizeram há cerca de seis meses. O argumento, mais uma vez, está embasado na questão da produtividade.
Até aí, tudo bem, mudanças são sempre necessárias e, quando bem planejadas, podem ser muito importantes para melhorar o desempenho de pessoas e organizações. O problema, porém, é que essas mudanças estão se repetindo com uma freqüência que já parece um pouco exagerada.
Em abril de 2010 os vereadores aprovaram projeto que dividia a sessão em duas etapas, uma pela manhã, destinada aos debates e discussões, e outra à tarde, reservada às votações. Porém, dez meses depois, um deles entrou com projeto para retornar ao formato tradicional das sessões.
O argumento baseava-se novamente na produtividade. Segundo o autor do projeto, o novo modelo não rendia e o ‘pessoal ficava apenas enchendo linguiça’. Um pouco mais adiante, já em 2011, os vereadores resolveram transferir a sessão de terça para quinta-feira, apegando-se novamente na questão da produtividade. Segundo o projeto, haveria mais tempo para os vereadores apresentarem propostas e as sessões iriam ficar mais completas, como se as quintas-feiras fossem mais longas e mais inspiradoras do que as terças-feiras.
Agora estão tentando voltar novamente a sessão para terça-feira, repetindo a mesma alegação da produtividade. Não dá para entender. É muita mudança para pouquíssimo tempo, o que com certeza diminui ou piora a produtividade. Paradoxalmente, o principal argumento para essas mesmas mudanças vai desaparecendo diante de tanto tempo perdido em discussões estéreis, como se o dia da semana fosse o principal fator de produtividade de uma pessoa ou instituição.
É claro que já existem vários estudos sobre essas questões de produtividade. Sabe-se que na segunda as pessoas estão com a energia renovada pelo final de semana e que na quinta e na sexta-feira já estão um pouco mais cansadas pelo próprio caminhar da semana.
De qualquer forma, em toda as organizações o trabalho estende-se de segunda à sexta-feira (ou sábado) e para todo o profissional que se preze os dias deveriam ser todos produtivos, a despeito dos problemas que possam surgir em alguns ou vários deles.
Em relação ao trabalho de vereador, então, talvez essa discussão nem devesse existir. Como realizam apenas uma sessão por semana, o dia não deveria ser tão relevante. Em qualquer um deles haveria tempo suficiente para que os vereadores se preparassem de forma adequada.
Mas talvez, no fundo, o problema não seja de produtividade, mas sim uma tentativa de atender a interesses pessoais, conforme afirmam alguns vereadores.
Se for verdade, aí só nos resta lamentar, tanto a atitude dos vereadores como a coitada da produtividade.
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