Quem for acompanhar os desfiles das escolas de samba neste ano em Franca perceberá que a estrutura do Carnaval está mais profissional. Coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento pelo segundo ano consecutivo, o evento promete mais qualidade a cada edição. A intenção da Prefeitura, em parceria com a Uesf (União das Escolas de Samba de Franca), é continuar com o plano de profissionalização dos desfiles e fazer com que a festa, a longo prazo, também seja uma referência na região, como Batatais. “A organização deles é uma referência. Acho que estamos caminhando firmes para ter um resultado bem parecido com o deles”, disse o secretário Alexandre Ferreira.
O projeto de profissionalização propõe um trabalho integrado entre Prefeitura, escolas e comunidade. A proposta é oferecer treinamentos para os carnavalescos melhorarem a mão de obra envolvida na montagem dos desfiles; montar projetos que incentivem o funcionamento da bateria das agremiações o ano todo, trabalhar para que as escolas sejam autossuficientes e tornar o CarnaFranca um evento que atraia turistas e movimente a economia.
Neste ano, segundo Ferreira, cada escola gastará em média R$ 60 mil com os desfiles e receberá 50% desse valor da Prefeitura. O repasse é feito apenas em janeiro, o que se torna um entrave para as agremiações. O secretário disse ser impossível liberar os valores antes. “Esse repasse é um complemento, a escola não pode depender só dele.”
A mobilização das escolas não deve ser apenas para levantar fundos. A expectativa da Prefeitura é que a adesão aos treinamentos oferecidos amplie neste ano. Em 2011, foram feitos workshops, mas o público ficou aquém do esperado. “Esperávamos 250, 300 pessoas e recebemos 50. Mas temos que ter perseverança. Neste ano vamos fazer de novo e até pensamos em condicionar o recebimento da verba da Prefeitura à presença nos treinamentos.”
Veja o vídeo aqui
EMPECILHOS
O presidente da Uesf, Delcides Moreira, que também está à frente da escola Embaixadores da Estação, e outros dois presidentes de agremiações francanas entrevistados pelo Comércio apontam como um dos principais entraves para ter um desfile mais profissional a falta de uma sede. As escolas têm ensaiado em praças e estacionamentos. “O ideal era ter um espaço para ensaiar, vender bebidas nos encontros, realizar feijoadas... Para ter um nível melhor, precisamos de espaço para trabalhar o ano inteiro”, disse José Paulo de Melo, da Aliados da Santa Cruz.
Ricardo Pereira, presidente da Escola Filhos de Gandhi, se queixa das dificuldades financeiras. “Precisamos de mais verba para contratar pessoal especializado e nos profissionalizar. O Carnaval de Franca está engatinhando, tem muito que melhorar.” Apesar da verba enxuta, neste ano, a Filhos de Gandhi conseguiu encomendar o samba-enredo de um grupo de compositores do Rio de Janeiro. O cantor é Evandro Malandra, um dos puxadores da Porto da Pedra.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.