A capela do Colégio Champagnat - prédio tombado que abriga atualmente a Secretaria Municipal da Educação -, tornou-se um depósito de alimentos da merenda escolar de Franca. O espaço é usado pela Divisão de Alimentação Escolar desde 2011 devido a obras de ampliação do galpão original, que também fica no terreno do Colégio.
A reportagem do Comércio esteve no local e encontrou diversos alimentos não perecíveis empilhados ao longo da capela. Sacos de arroz, açúcar, macarrão, caixas de extrato de tomate, enlatados e óleos tomam o espaço. Não há nenhum móvel ou imagem sacra no cômodo, apenas a pintura do teto. No altar e na entrada lateral da capela, funcionários da Prefeitura trabalham normalmente em mesas e computadores que foram instalados no local. A pintura no teto da capela, feita pelo artista francano Agostinho Ferrante (leia mais em texto nesta página) está deteriorada. Um dos painéis, no centro da capela, foi parcialmente coberto por tinta, descaracterizando a obra.
De acordo com a diretora da Divisão de Alimentação Escolar, Thaís Machado, a escolha da capela como depósito ocorreu em abril de 2011 porque a sala era a única que acomodaria os alimentos a curto prazo. “Sabemos que não é o ideal, mas infelizmente não podíamos cancelar o atendimento às escolas.”
A demanda de refeições da rede escolar de Franca é de 70 mil/dia. Thaís também diz que era preciso um local que permitisse a movimentação de veículos para carga e descarga de alimentos - no caso, a entrada da capela.
A secretária da Educação, Leila Hadad, afirmou que a capela deve ser desocupada dentro de um mês, tempo previsto para a conclusão das obras no galpão. “Sempre tive muito cuidado com a capela. Voltaremos a ceder o espaço para os ensaios da Orquestra Sinfônica de Franca e para nossas reuniões.”
Em 2009, a capela foi reestruturada pelo prefeito Sidnei Rocha e transformou-se em auditório. Indagada sobre o estado das pinturas de Agostinho Ferrante, Leila diz que a cobertura dos painéis com tinta ocorreu em outra administração municipal.
Para o professor e historiador José Chiachiri Filho, a capela perdeu sua caracterização de local religioso. “O correto seria restaurá-la, mas isso não aconteceu. Quando foi transformada em auditório, a capela perdeu seu significado. É a fúria iconoclasta de Franca. O povo sem cultura destrói o seu passado, não há sensibilidade. É muito difícil tombar e preservar prédios particulares. Mas os prédios públicos são obrigação do Estado, do povo, mantê-los. Esse sentido de preservação não existe. É o progresso idiota”, diz.
O ex-secretário da Educação e atual presidente do PT em Franca, Marcial Inácio da Silva, elaborou, em 1999, um projeto para a restauração da capela, que, diz, não foi levado adiante por falta de patrocínio. Acerca da ocupação do local como depósito, Silva considera um desrespeito ao patrimônio tombado.
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