Como se sabe, a cidade de São Paulo, capital do Estado, foi fundada pelo padre Manuel da Nóbrega, português, no dia 25 de janeiro de 1554. A propósito, nos informa Emmanuel, sábio mentor espiritual do médium Francisco Cândido Xavier, que o então povoado surgiu com o colégio de Piratininga e seu nome decorre de homenagem ao apóstolo Paulo, cujo aniversário se comemora em 25 de janeiro.
Importante observar que padre Manoel da Nóbrega era o mesmo espírito que, mais tarde, viria a ter nova reencarnação como Emmanuel, conforme se pode verificar do excelente trabalho Paulo e Estevão, livro que nos legou a sublimada intermediação psicográfica de Chico Xavier e que se tornou exponencial na extensa produção do médium.
A vida de Paulo tem extenso relato no livro Atos dos Apóstolos, escrito por Lucas, que fora seu discípulo. Sabe-se, também, pela leitura dos textos do evangelista, o quanto Paulo fez pela divulgação do Cristianismo nascente. Não foi por acaso que Jesus o procurou na estrada de Damasco. Era o vaso escolhido. Escreveu 14 belíssimas cartas, que revelam o seu profundo conhecimento da lei hebraica, posto que era um douto da sinagoga. Os ensinos contidos nas suas epístolas revelam um homem do seu tempo, isto é, influenciado pelas leis e pelos usos e costumes, muitos deles rigorosamente exigidos.
Na referida obra, seu autor, Emmanuel, mercê de sua condição de espírito superior, fez algumas revelações que não constam dos registros históricos. O preclaro mentor de Chico nos fala, por exemplo, do noivado de Paulo com Abigail, irmã de Jesiel que, por sugestão do apóstolo Pedro, havia latinizado o seu nome para Estevão. Quando Paulo, então Saulo, manda apedrejar Estevão por suposto desrespeito às leis, na verdade estava condenando à morte o irmão de Abigail, antes conhecido como Jesiel. Imaginem o drama que o doutor da sinagoga teve que enfrentar.
Outra revelação que Emmanuel nos faz é a de que o ‘vaso escolhido’ era mesmo Paulo. Isto nos é relatado quando Jesus aparece a Ananias em Damasco dizendo que ele fosse à procura de Saulo para curá-lo e orientá-lo, o que provoca espanto em Ananias, que diz: ‘Mas, Mestre, ele veio de Damasco para me prender e me condenar à morte’. Ao que redargue o Mestre Jesus: ‘Ele é o vaso escolhido para visitar os gentios’. Sua escolha decorria da sua vasta cultura e conhecimento, que incluíam a lei mosaica.
Das cartas que Paulo escreveu, a que foi endereçada aos seus patrícios tem a autoria contestada, porquanto nela não foram obedecidos alguns critérios que Paulo adotara nas cartas anteriores. No entanto, se Emmanuel falou, haveremos de admitir como autêntica, sem que, todavia, nutramos a mínima pretensão de desprezar o conhecimento dos pesquisadores.
É que eles não têm a visão espiritual de que dispõe o tão elevado espírito, e eles mesmos não têm uma conclusão definitiva sobre o assunto.
Ficamos com a opinião do senador romano Publio Lentulus, outra das reencarnações de Emmanuel.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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