Ensina a sabedoria popular que não se deve colocar o carro na frente dos bois. A lógica é simples. São os bois que fazem o carro se movimentar e não o contrário. E a metáfora também é bastante clara. Não adianta fazer algo que dependa de outra coisa que não existe para ter alguma eficácia ou utilidade. Ou seja, não adianta alugar DVDs se você não tem o aparelho para reproduzi-los.
Mas se a lógica é bastante simples para a sabedoria popular, parece não ser para o poder público brasileiro, em todos os seus níveis. O caso das ambulâncias do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) é um bom exemplo. Guardadas há um ano nas garagens da Secretaria de Saúde de Franca, ainda não entraram em ação, a despeito dos vários acidentes que se proliferam pelas ruas e avenidas da cidade.
É difícil entender essa lógica. Por razões que a própria razão desconhece, as ambulâncias chegaram antes das obras, antecipando-as em mais de um ano, já que não existe uma data definida para o inicio das atividades do Samu. Dessa maneira, transformaram-se em objetos de depósito, sofrendo todo o processo de deterioração que incide nesses espaços.
Para o cidadão contribuinte, que paga seus impostos em dia e experimenta um retorno insignificante desse valor investido, sobra apenas a sensação de engodo, para além de algumas perguntas que parecem bastante naturais.
Quem foi o responsável por enviar essas ambulâncias com tamanha antecedência? Ou será que o problema foi de atraso nas obras, que não respeitaram o planejamento elaborado anteriormente? De qualquer forma, por que a Prefeitura aceitou, uma vez que as obras ainda demorariam mais de um ano para ficarem prontas? Enfim, de quem é a responsabilidade por esse ‘atentado’ ao patrimônio público do país?
O serviço, pelo que parece, só pode entrar em funcionamento após a aprovação do Ministério da Saúde ser publicada no Diário Oficial da União. Isso, por sua vez, só poderá acontecer após uma vistoria em toda a estrutura física e funcional do Samu. Ocorre que ainda estão sendo feitos ajustes nas obras. Enfim, as ambulâncias já completaram seu primeiro aniversário e não há, sequer, uma data maisprecisa de quando essa vistoria será feita.
Dentro desse contexto, fica claro que alguma coisa andou errada e que se nada for feito, as ambulâncias vão continuar acumulando poeira, a mesma em que vai se transformando nossos impostos.
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