Livres, leves e soltos


| Tempo de leitura: 4 min

Dia desses, uma cidadã seguiu indivíduo que havia acabado de assaltá-la

Fez, como diriam os franceses, “comme il faut”, como se deve. Não fez estardalhaço, não gritou. Apenas seguiu. Durante o trajeto manteve contato com a polícia, via celular. Deu certo. O cara foi detido. Portava o que haviam furtado. Foi levado à delegacia e ouvido. Configurou-se o crime. Houve a comprovação. Quem cometeu foi reconhecido, identificado. E foi liberado...

Tenho, de forma recorrente, comentado assuntos do tipo. As pessoas de bem estão indefesas e com um gosto amargo na boca. Agem quando lhes resta coragem, como fez essa cidadã. Oferecem a oportunidade a que se faça justiça; proporcionam a chance de que criminosos sejam retirados do convívio da sociedade, mas, a descrença sobrepuja. A certeza que resta é a de que a impunidade triunfará mais uma vez. O arcabouço legal, bem tratado por especialistas em brechas jurídicas, garantem liberdade e volta à prática criminosa.

Eu vou, tiro do outro o que quero sem nenhum medo de nada. A julgar que vejo, estou convicto que ninguém me aplicará o que o psicólogo Carl Rogers chamou de “reforço negativo”.

Gosto. Decido-me por institucionalizar a “boa possibilidade”. Decido-me por fazer de novo, e de novo. Afinal, estar certo de que tudo dará certo, não é reforço positivo que estimule repetição?

Vivemos plena época de inversão de valores. Estudantes deveriam chegar à escola educados pela família, em busca de cultura, mas não. Este é o tempo em que presidente da República declara que “não sabe de nada” e tudo permanece exatamente como está. É a ocasião em que muitos alcançam ganhos fáceis, medidos em “milhões” enquanto o restante da população sofre para ganhar centavos.

Infelizmente também é a ocasião em que, sob o mote da produtividade e da redução de despesas, pessoas são tratadas como gado, vacinadas em massa e, se não atentam pelo menos um pouco, são conduzidas ao abate, infartadas e ‘tratadas’ com dipirona ou alguma panacéia “mais forte” uma, duas, mais vezes, até que pereçam.

Triste raça humana. Estamos criando e colocando em prática condições para aqueles que nos ameaçam permanecerem livres, leves e soltos! Será por medo? Conivência com a subserviência? Acovardamento que não se pode mais negar? Ei, Will, (leitor deste Comércio), será que você sacou o que ainda não sacamos quando nos cobrou um olhar mais detido à Lei 12403, de 4 de maio de 2011, ou às entrelinhas dela?

BÁSICO DE INFORMÁTICA
A “União, Fé, Esperança e Caridade”, da comunidade espírita, em convênio com o Sindicato dos Sapateiros do Município de Franca oferece 132 vagas para curso de informática. O curso dura 8 meses e acontecerá na sede da UFEC. Os interessados serão reunidos em grupos de 11, cada aluno em um computador. O sindicato custeará a matrícula e, durante o restante do treinamento, cada um pagará R$ 15 ao mês. A idade mínima para frequentar é 11 anos. Informações na sede do sindicato, rua General Carneiro, 677, na Estação.

PERGUNTAR NÃO OFENDE
A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo mandou publicar no Diário Oficial paulista renovação de convênio com a empresa DKT do Brasil, que fabrica e distribui os preservativos Prudence e Affair e que garante aos produtos, isenção de cobrança do ICMS, ou ainda não? Alguém viu ou leu? O final do convênio ocorreu em 30 de setembro do ano passado e foi prorrogado até 30 de abril de 2014, visando oferecer preservativos mais baratos à população. Segundo os órgãos administrativos do Estado, sem publicação no DO, o convênio não tem validade. O carnaval bate à porta e é nos festejos de Momo que o pessoal se esbalda. Como a camisinha pode custar entre 7% e 10% mais, a farra pode se dar em terrenos desprotegidos. Ai, haja (mais) dinheiro público para a saúde...

‘NÃO FOI ACIDENTE’
Em 2011, o cidadão Rafael Baltresca teve a mãe e a irmã mortas por atropelamento, em São Paulo. Decidiu-se por criar um site “Não foi acidente” e uma bandeira, a modificação da legislação de trânsito do Brasil, que, segundo ele, ‘abre portas para a impunidade’. Considera que ‘hoje, a pessoa que bebe, dirige e mata, é indiciada por homicídio culposo (sem intenção de matar). Se o atropelador for réu primário, pode pegar de dois a quatro anos de prisão. A habilitação pode ser suspensa por um ano. Na prática, segundo a Constituição, até 4 anos de prisão a pena pode ser convertida em serviços para a comunidade.” Porque ‘nada acontece com quem mata no trânsito do Brasil’, Baltresca está brigando por apoio a uma petição pública. Os pontos principais que pretende ver mudados na legislação, são: “a análise clínica de um médico legista ou de alguém com fé pública, pode atestar a embriagues; o crime no trânsito continua como homicídio culposo, mas a pena, provada a embriagues, será aumentada para algo entre 5 e 9 anos de reclusão real; e, mesmo que não ocorra morte, a pena será aumentada se a embriaguez for provada”. A petição, que angaria assinaturas, está disponível em http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoAssinar. aspx?pi=P2011N15216.

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários