Entre jovens oprimidos,
Sua tênue voz ressoa,
Talvez chegue aos ouvidos
Surdos de certas pessoas.
Vivia como podia,
Em um meio bem carente
E naquele triste dia,
A presença da dor sente.
O jovem pai morto fora,
Nas mãos de alguém sem dó,
Sem a parte protetora,
Neste mundo ficou só.
A tristeza a assola
Desde os mais tenros dias.
Frequentou creche e escola
Muito feias, frágeis, frias.
Quis enriquecer a mente,
O pouco, o gosto toma.
Leu o mínimo somente
E tirado foi o diploma.
O sorriso puro rola,
A cobiçada mocinha,
Entre o sapato e a cola,
Sua mão muito certinha.
Teve um amor só seu,
Durante os jovens dias,
Sorriu e se envolveu
Com as vivências sadias.
Tudo acabou também,
Os desenganos viveu.
Foi decidida, porém,
E ficou só com seu eu.
Sempre buscou o saber,
Fez um esforço ferrenho,
Outro diploma quis ter,
Com muito gosto e empenho.
Agora, tem profissão,
Caminha em trilho ferino,
Os passos firmes estão,
Seguirá o seu destino.
Para conseguir lugar,
Nesta vida desigual,
Tem que com forças lutar
Para vencer no final.
Ter construída uma vida
Foi sempre um sonho seu.
Alma meiga e sentida,
Quem a viu não a esqueceu.
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