Perspectiva econômica


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A página de economia do Comércio, publicada no sábado, 14/01, apresentou dois estudos que permitem uma reflexão interessante acerca da economia brasileira nesse começo de 2012. O primeiro, realizado pelo IBGE, mostrou que a indústria brasileira continua dispensando trabalhadores, já pelo terceiro mês consecutivo.

O segundo, realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), pondera que a crise européia poderá levar a economia brasileira a um ‘círculo vicioso’. Se ela se acentuar no decorrer desse ano, nossa atividade econômica deverá sofrer um forte desaquecimento, o que impactará negativamente o mercado de trabalho, diminuirá a expansão da renda e piorará a atividade industrial, já um tanto estagnada nos dias de hoje.

A conjunção desses fatores nos obriga a refletir sobre como, apesar do crescimento experimentado nessas últimas duas décadas, nossa economia ainda se apresenta frágil e bastante vulnerável às oscilações financeiras e políticas do mercado.

É verdade que passamos pela crise financeira de 2008 com muito mais tranquilidade do que poderíamos imaginar. Com a reestruturação do sistema bancário, ocorrida durante o governo Fernando Henrique Cardoso, e com a inserção das camadas de baixa renda no mundo do consumo, o país conseguiu atravessar esse período de forma mais tranqüila e consistente.

Também é verdade que essa vulnerabilidade não é uma prerrogativa apenas brasileira. No mundo globalizado, a força do capital invade e desafia constantemente o poder dos governos institucionalizados. E não é fácil lidar com ela.

A despeito desses atenuantes, no entanto, esse cenário positivo apresentado pelo país parece demasiadamente superficial, pois ainda sofremos com a falta das prometidas e sempre adiadas reformas estruturais. Não fizemos a reforma tributária, não mexemos no judiciário, não mudamos a previdência e não atacamos as deficiências de nosso sistema político. Nem Fernando Henrique nem Lula conseguiram levar essas reformas adiante e pelo andar da carruagem Dilma também enfrentará muitas dificuldades para conseguir aprová-las.

É uma pena. Parece que estamos bem no jogo internacional, mas ‘nosso calcanhar continua de Aquiles’. E o pior é que as condições econômicas atuais são bastante propícias para a realização dessas reformas. Com a economia ancorada em bases sólidas, apresentando uma longa sequência de crescimento, não seria tão difícil conseguir o apoio da opinião pública para realizá-las, a despeito da resistência que seria apresentada pelas forças retrógradas desse país.

O que falta, no fundo, é vontade política para realizá-las. Porém, é preciso entender que a melhor forma de atender às demandas sociais e resolver a desigualdade social desse país é garantir a continuidade do crescimento econômico, o que só acontecerá de forma concreta e consistente quando tivermos instituições fortes e respeitadas, que se utilizem de instrumentos e processos totalmente democráticos.

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