Pesquisa divulgada dias atrás mostra o que já desconfiávamos: os brasileiros são, no mundo, os que mais pagam impostos e têm menos retorno. Por outro lado, o conselho diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (ANT) determinou a redução dos valores pagos para as ligações entre os telefones de linha fixa para a móvel. Seria fantástico não fosse o ‘tamanho’ da redução: de R$ 0,54 para R$ 0,48 o minuto, míseros seis centavos.
E pensamos que os serviços são de primeiro mundo. Quando vivi em Bariloche, na Argentina, pude constatar que naquele fim de mundo – é longe de tudo mesmo – os serviços são mais baratos e melhores. Algo que a ANT deveria copiar dos argentinos, por exemplo, é a informação que antecede a ligação, informar qual é a operadora do número que o usuário está chamando. Outro serviço que não existe por aqui é a Internet pré-paga de banda larga. Se em Bariloche tem por que não em São Paulo?
E observem que o Brasil é o campeão em um quesito da telefonia celular, é o mais caro do mundo. De acordo com a União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão da ONU (Organização das Nações Unidas), nosso País bate a Suíça e Japão. O estudo analisou o custo em 165 países. Se comparado ao grupo dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), ou seja, as principais nações emergentes do planeta, a situação fica vergonhosa.
Enquanto no Brasil o custo analisado está em US$ 57,10, na China, custa somente US$ 6,00. Isso mesmo, o leitor não leu errado não, é quase um décimo do que pagamos. Na Índia, o custo fica em US$ 3,40. Só a Rússia é que tem um precinho mais caro, de US$ 9,20, um sexto do daqui. É verdade que um dos fatores que determinam os custos é a alta carga tributária. E essa alta de impostos é generalizada e, novamente, comprovado por outra pesquisa que mostra o Brasil em último lugar no retorno que os cidadãos têm para os impostos que pagamos, bem atrás do Uruguai e da Argentina...
Para se ter uma ideia, países com carga tributária em torno de 25% do PIB e altíssimo IDH, como Austrália, Estados Unidos e Coreia do Sul, são os que mais retornam a seus cidadãos. Aqui, 35% da riqueza produzida vai para os governos. Os pesquisadores analisaram a carga tributária das 30 nações que mais cobram impostos com o IDH, Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, que leva em conta expectativa de vida, educação e renda.
Assim calcularam o retorno de bem-estar à sociedade. Podemos citar como funções do Estado, a saúde, a educação e a segurança. Não podemos deixar de citar que o Brasil cuida de seus doentes há muito tempo. Nações como os Estados Unidos somente agora têm isso como meta. É obvio que o País precisa de uma melhor gestão, tem que gastar melhor, nomear gente mais capacitada, reduzir os impostos, combater a corrupção e evitar o desperdício. Esse, certamente, é o caminho.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPS, professor do Instituto Superior de Catanduva
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