Preocupado com a crescente recusa da produção de provas através do aparelho de bafômetro por parte dos motoristas, o Ministro da Justiça manifestou esta semana sua intenção de endurecer ainda mais o teor da Lei Seca, acrescentando novos mecanismos para punição. Mas os percentuais resultantes dos quatro anos de vida da legislação não preveem melhores resultados com essa ação. Pesquisas mostram que apenas 34% dos moradores do Estado de São Paulo aderiram à abstinência ao volante, e que a redução efetiva no número de acidentes de trânsito desde 2008 foi inferior a 8% em no território paulista, segundo o Ministério da Saúde.
Em Franca, infelizmente, os resultados da Leia Seca não são muito diferentes. Com preocupação, nos últimos meses, temos acompanhado à crescente onda de acidentes fatais de trânsito envolvendo nossos jovens. Costuma-se culpar o citado consumo de bebida alcoólica e as duvidosas condições de algumas vias e sinalizações como os causadores de grande parte desses acidentes.
Realmente a culpa desses itens é fartamente armazenada nos boletins de ocorrência re-gistrados pela polícia, mas não explica todos os acidentes. Segundo dados divulgados nos últimos anos por alguns dos mais respeitados institutos de pesquisa do mundo -, de dois inimigos ocultos, ignorados e indetectáveis por equipamentos: o sono e o cansaço. Juntos, os dois são responsáveis por boa parte dos acidentes re-gistrados nas avenidas, ruas e rodovias - e, somados ao celular e som alto, respondem por mais de 80% dos acidentes de trânsito por todo o mundo. Cansaço e distração, basicamente.
Estudos clínicos já apontaram que a maioria das pessoas só pode ser considerada capaz de assumir o volante uma hora após acordar de uma noite bem dormida. Os reflexos e o raciocínio ficam até 80% abaixo da capacidade antes disso. E o contrário é até mais comum: após um dia de trabalho ou estudo intenso, esticar a noite na balada além da necessidade de descanso do organismo chega a ser duas vezes mais perigoso para os reflexos e o raciocínio que o consumo de bebida alcoólica.
A constatação não é exatamente nova. Mas, considerando os números do trânsito de Franca, nunca é demais refletir sobre ela.
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