Os incidentes envolvendo linhas com cerol e cabos elétricos tiveram um aumento de 30% no início deste ano. De acordo com a CPFL Paulista, concessionária de energia que atua na cidade, até o último dia 24, 18 ocorrências do tipo foram registradas. Destas, 15 culminaram na falta de energia. Além do conhecido cerol, outro tipo de material cortante utilizado nas pipas tem preocupado a empresa. Se trata da linha chilena, que tem o poder de corte quatro vezes maior que o cerol e já provocou desabastecimentos de energia em Franca e região.
Segundo o gerente do Centro de Operações da Companhia, Rodrigo de Vasconcelos Bianchi, milhares de residências são atingidas quando a brincadeira se torna um problema. “Um desligamento causado por pipa pode deixar de três a quatro mil residências sem energia e o tempo estimado para que a equipe efetue o reparo é de cerca de uma hora.” Há cerca de dez dias, 10.225 unidades consumidoras nas regiões do Jardim João Leite e da rua Monsenhor Rosa, no Centro, tiveram interrupção no fornecimento de energia por cerca de uma hora. O desligamento na região do Jardim João Leite foi ocasionado por uma pipa enroscada na fiação.
Além do risco de descargas elétricas quando se solta pipa próximo à rede elétrica, as consequências do uso da linha chilena são mais graves. A linha comum cede com mais facilidade e se rompe quando puxada, ao contrário da chilena. Por se tratar de um material mais resistente, ela atua como uma serra, partindo o cabo e deixando margens para acidentes fatais.
A diferença entre os materiais está no preparo. O cerol tem vidro moído, já a linha chilena vem preparada de fábrica e é composta por óxido moído e quartzo de alumínio. De acordo com Bianchi, a CPFL não tem um balanço oficial do número de casos específicos envolvendo a linha chilena, mas disse que a crescente do uso é sentida em todo o Estado.
O produto já ganhou fama em Franca. Em um campo de futebol, no bairro City Petrópolis, crianças entre 9 e 13 anos soltavam pipas e disseram conhecer a linha chilena. “Aqui nós não usamos (cerol/chilena) não, mas os meninos do campo de baixo usam”, disse um garoto de 10 anos. “Aqui (Franca) não vende linha chilena, o pessoal traz de São Paulo”, completou.
A fabricação, venda e utilização de cortantes em pipas são proibidas por lei, independentemente do tipo (leia mais em texto nesta página).
RISCO DE MORTE
Mais que o desabastecimento de energia elétrica, as linhas com material cortante podem causar mortes. No dia 3 de janeiro, uma mulher de 35 anos passou por cirurgia após ter o pescoço atingido por uma linha de pipa enquanto guiava uma moto em Ribeirão Preto. No dia 12, um garoto de 9 anos sobreviveu, com sequelas, a uma descarga de 13 mil volts após tentar desenroscar uma pipa da rede elétrica, em São José do Rio Preto.
Cuidados simples como procurar locais descampados, longe das fiações e utilizar linha comum, sem cortante, podem garantir a diversão sem riscos.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.