ONG Secos e Não Molhados exporta ‘know how’ de fraldas


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AMOR E CARINHO - Fátima Pires mostra fraldas que são produzidas pelos voluntários da ONG Secos e Não Molhados
AMOR E CARINHO - Fátima Pires mostra fraldas que são produzidas pelos voluntários da ONG Secos e Não Molhados

Duas premiações e o lançamento do site renderam à ONG Secos e Não Molhados, que fabrica e doa fraldas descartáveis em Franca, a oportunidade de “exportar” a ideia para outras cidades do País. Núcleos para produção das fraldas já estão funcionando em Pedregulho, Porto Ferreira, Catanduva, Taubaté e até Caxias do Sul (RS). Para fevereiro está agendada a visita de um grupo de empresários de Goiânia (GO) à sede da ONG francana para aprender o “know how” e passar a fabricar os materiais naquele Estado.

“Fomos procurados por empresários de outras cidades dispostos a conhecer como trabalhamos na fabricação das fraldas e doações para montarem núcleos em suas cidades. O Brasil está se apaixonando por nós”, disse a presidente da ONG, Fátima de Andrade Pires, 57.

No primeiro semestre de 2011, Fátima foi premiada pelo programa Acolher, da Natura, empresa da qual é consultora, e receberá R$ 15 mil para investir na Secos e Não Molhados mais um ano de consultoria técnica. A Natura ainda indicou a voluntária para o Prêmio Claudia - da revista Claudia, da editora Abril. O projeto de Franca foi um dos premiados, ficando entre os cinco vencedores da categoria Mulheres Inspiradoras.

“Fomos escolhidos entre mais de 1.500 inscritos. Foi uma emoção muito grande e um reconhecimento para todos nós”, disse Fátima, que recebeu o troféu numa festa realizada em São Paulo, no dia 10 de outubro de 2011.

Reportagens sobre a trajetória de Fátima no trabalho voluntário e da ONG foram publicadas pelo jornal Comércio da Franca, revistas do GCN Comunicação, revista Claudia, além de outros veículos. Postagens no site da entidade, lançado em julho de 2011, e na rede social Facebook também ajudaram a difundir o projeto.

Um grupo de amigos de Porto Ferreira (SP), cidade a 176 quilômetros de Franca, conheceu o projeto da Secos e Não Molhados e iniciou a fabricação de fraldas em agosto deste ano. O empresário Valter Villalva, proprietário de uma cerâmica, disse que ele e os amigos conheceram trabalho semelhante desenvolvido por uma paróquia de Santa Rita do Passa Quatro há anos, mas não haviam conseguido implantar a ideia na cidade. Neste ano, uma das interessadas leu uma reportagem sobre Fátima Pires na Claudia e localizou os contatos dela pela internet. O grupo agendou uma visita à sede da ONG e ficou um dia em Franca para aprender o passo a passo da fabricação.

Os empresários, aposentados e cabeleireiras montaram o projeto Beija-Flor que, em quatro meses, atingiu a marca de 3 mil fraldas descartáveis confeccionadas por mês. No início, eram seis voluntários, hoje são 22. “O projeto de Franca nos incentivou muito. Nosso propósito é exercitar a solidariedade, reforçar a amizade e fazer o bem. Como na parábola do beija-flor, faremos a nossa parte”, disse Valter.

O projeto das fraldas também tem “ajuda internacional”: todos os anos, jovens dos EUA passam uma temporada em Franca e ajudam a montar as fraldas.

O trabalho da ONG começou há mais de 20 anos. Em 1991, Fátima encontrou um anúncio nos Classificados do Comércio sobre a venda de uma máquina para fabricar fraldas. Com ajuda de voluntários, conseguiu comprar o equipamento e começou a confeccionar as fraldas.

As fraldas são produzidas na sede da entidade, instalada em um imóvel emprestado no Centro. Mais de cem voluntários se reúnem no local todas as terças e quintas, das 13 às 23 horas, para fabricar 12 mil unidades por mês. Elas são doadas para 231 pessoas deficientes.
 

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