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NATURAL - Edvaldo Fernandes, o ‘doutor Jacó’, mostra uma das ervas da barraca que ele mantém na praça do Itaú
NATURAL - Edvaldo Fernandes, o ‘doutor Jacó’, mostra uma das ervas da barraca que ele mantém na praça do Itaú

Houve um tempo em que não existiam farmácias, drogarias e nem tampouco indústria farmacêutica. Era um tempo em que a cura dependia apenas dos milagres da natureza: ervas, plantas, raízes e frutos que, isolados ou juntos, eram capazes de, se não curar, pelo menos amenizar dores e doenças do corpo e da alma. Apesar de a medicina ter evoluído, de terem surgido várias especialidades médicas e de haver nas prateleiras um grande número de remédios, muitas pessoas ainda depositam suas crenças e esperanças de ter uma boa saúde nas drogas da natureza.

Em Franca há pelo menos cinco pontos de venda destas plantas. São farmácias de manipulação, lojas de produtos naturais e uma barraca, localizada na praça do Itaú, próximo aos camelôs. A barraca tem mais de 60 ervas e remédios fitoterápicos à venda indicados para males como diabetes, pressão alta, pedra nos rins, impotência sexual e até ansiedade e depressão. O pequeno comércio está há mais de 15 anos sob responsabilidade do curandeiro, ou raizeiro, como prefere ser chamado, Edvaldo Fernandes Dias, conhecido na praça como doutor Jacó. 

Não faltam clientes às lojas. São pessoas de todas as idades que confiam seu bem estar à fitoterapia, à cura através de plantas e dos óleos naturais. Uma das clientes, Laila Beanduni Hannoud, 73, por exemplo, disse que usa há vários anos semente de sucupira para tratar das dores que a idade lhe trouxe. Todos os dias, antes do almoço e do jantar, toma um cálice do xarope que prepara amassando a semente e misturando o óleo que ela solta ao vinho. A porção do ingrediente custa R$ 5, mas o preço não é o principal fator na hora de Laila decidir pelo remédio natural.

“Já tomei os convencionais, mas eles fazem bem para alguns sintomas e pioram outros. Se melhora a dor, ataca o estômago. Se melhora o estômago, dá dor de cabeça”, afirmou.

O homeopata Hermes Falleiros alerta, no entanto, que as plantas medicinais guardam tantos perigos quanto os remédios industrializados. Segundo ele, a automedicação pode trazer problemas, seja com remédios alopáticos, naturais ou homeopáticos. “Tenho um paciente que aprendeu a ‘tratar’ o estômago com limão. Eram nove dias tomando a fruta, mas no final do tratamento o que ele ganhou foi uma hemorragia gástrica. Ser natural não é sinônimo de fazer bem”, disse.

Nas lojas de produtos naturais, como a Ponto Natural, há, além das ervas, os mix de substâncias com indicação para algumas doenças. Segundo Priscila da Silva Mendes, gerente da loja, são mais de 150 plantas fitoterápicas à venda. Entre as misturas mais procuradas estão a de passiflora, com erva doce, camomila, melissa e maracujá, indicada para depressão, estresse e insônia, e a contra diabetes, com jambolão e pata de vaca. De acordo com a gerente, casos de sucesso não faltam. “Temos uma cliente que se curou de uma infecção no útero com unha de gato e uxi amarelo. Ela já havia tentando a medicina tradicional sem sucesso. Depois disso conseguiu até mesmo engravidar”, afirmou.

Para a endocrinologista Ana Paula Engler Goulart, o costume de usar as plantas para tratar a saúde é um resquício da cultura rural do interior, mas a única garantia de que o tratamento seja adequado é ter acompanhamento médico. De acordo com ela, existem folhas e chás utilizados há séculos para determinadas doenças, mas para haver comprovação científica são necessárias pesquisas e experiências sérias. “Há centenas de plantas da ‘moda’ indicadas por aí para emagrecer, cicatrizar, diminuir índices de diabetes, entre outros, mas eu não sugiro substituir medicação tradicional nenhuma, pois, por melhor que a substância seja, no remédio alopático a concentração é na medida ideal”, afirma.
 

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