Lavou...


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Outro dia, ouvindo um programa radiofônico, anotei uma afirmativa que me deixou estupefato. Dizia a autora que, num momento de indecisão emocional, havia traído o marido. Mais pasmado fiquei foi com o que ela afirmou ser a solução do problema. Disse a confidente: ‘também, lavou, tá limpo!’ Admite-se, materialmente falando, que, uma coisa, convenientemente submetida a água e sabão, fique definitivamente limpa, o que até faz lembrar uma marchinha de carnaval que dizia: ‘a água lava tudo...’ No entanto, e o respeito? E o que poderíamos chamar de honra conjugal, agora ferida? Ou os cônjuges dispensam o respeito e a honra e, por conseguinte, a estabilidade e... a felicidade do casamento?! E a consciência, que evolui, tornando-se irresistível e impiedosa cobradora?

Do ponto de vista espiritual, toda vez que infringimos a Lei Divina criamos uma nódoa moral que, mais cedo ou mais tarde, seremos compelidos a extirpar. Dirá alguém: ‘Ah! Mas, modernamente, a moral é outra. Lavou, tá limpo.’ Ledo engano! As Leis de Deus são imutáveis e não sofrem a corrosão do tempo. Vale dizer: não podemos trair princípios, ainda que haja conivência social. Podemos até explicar, justificar, jamais!

Aos que alegam que ninguém ficará sabendo, é bom lembrar que é na consciência de cada um que estão inscritos os Preceitos Divinos. Evoluindo, a consciência, sob o pesado ônus do desconforto moral, passa a recusar admitir o que ela própria antes admitia. Quando erramos, sabemos que erramos e, amadurecidos, haveremos de desejar desesperadamente reparar o próprio erro. Provando a imortalidade da alma, e lembrando-nos de que o efeito da causa pode vir tanto na atual como nas futuras encarnações, o Espiritismo nos ensina que a consciência nos é o instrumento a medir-nos o grau de moralidade, ao mesmo tempo em que requer harmonizemo-nos com os desígnios da Lei. Está na nossa própria consciência o infalível tribunal a nos julgar.

Dirão alguns: ‘mas, não estaria aí consagrado o princípio da Lei de Talião? Do, por exemplo, matou tem que morrer?’. Sem dúvida que, diante da Lei de Deus, nós mesmos desejaremos acertar o erro cometido, porém, poderemos acertar de outras maneiras que não o de sofrermos o que fizemos sofrer. Há na lei inúmeras possibilidades, sem que seja preciso criar-se um moto contínuo. Pode dar-se que o autor de uma traição possa, numa próxima existência, enganar-se com um cálculo qualquer e ver-se obrigado a enfrentar uma situação de ressarcimento da qual não possa esquivar-se. Afinal, a Sabedoria Divina, manifestada em suas justas, sábias e misericordiosas leis, encontra mil mecanismos pelos quais possamos quitar nossas pendências conscienciais. Lembremo-nos do que está escrito na Bíblia: ‘O amor cobre a multidão dos pecados’.

Porquanto, despertemos em nós o sentimento do verdadeiro amor que nos prevenirá contra erros, e estaremos ‘cobrindo’ os milhões dos pecados que tenhamos cometido.

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