Chega!


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É de amedrontar comentário cuspido sem eira nem beira apenas para ver soar a própria voz

Meus avós - e provavelmente os seus avós -, experi- ências de vida sempre à disposição no bolsinho do colete, ensinavam que é indispensável a gente se calar em determinadas circunstâncias. Falar é prata, saber silenciar é ouro. Ainda me recordo de meu avô, “Seu” Zequinha, sorriso maroto na boca, calado, me piscando quando minha avó, “Dona” Sinhá, lhe dava uma dura. Em sua sabedoria e sem emitir uma única palavra, fazia-me saber que “fala quem manda, obedece quem tem juízo” para confirmar que o silêncio vale mais que mil palavras.

O povo desaprendeu essas coisas. Na velocidade louca de hoje não dá para perder tempo. Lido, todos os dias, com centenas de comentários que gente de todas as classes sociais, idades, ocupações e crenças enviam a este GCN, manifestando opiniões sobre os fatos que lhes contamos através do Comércio, da Rádio Difusora, do portal de notícias na Internet. Há, na esmagadora maioria dos textos, muito equilíbrio e bom senso. (Ótimo. A maior parte das pessoas respeita, pratica equilíbrio, pondera, pergunta quando não sabe, propõe, negocia. São poucos os que xingam, usam de linguagem chula, denunciam mas não documentam, imputam dúvidas e até crimes. Ainda assim, lemos tudo. A opinião pertence a tem coragem de opinar, vê o mundo com seus próprios olhos e pensa com sua própria maneira de ver as coisas. A gente, às vezes, não concorda, mas lemos tudo. E respeitamos.)

De quando em quando, engasgo, mas engulo seco. Ontem, quando a cidade observava e acompanhava pasmada e estarrecida a tragédia do desaparecimento de uma jovem de 21 anos, ela que ao volante de seu carro caiu no córrego transbordado dos Bagres e não foi mais vista, muito se produziu em texto e se enviou a este GCN. Poucos comentaristas derraparam, misturaram pontos de vistas. E muitos os contestaram . O debate invisível que não mostramos por causa da filosofia que praticamos (‘temos que livrar nossos leitores, internautas, ouvintes de rádio dos palavrões, das inconsequências nas quais alguns se baseiam quando escrevem – como digo – com os intestinos, quase sempre escondidos no anonimato), assusta. Volto a reafirmar que parte dos seres humanos estão mutando. Deixaram de evoluir.

Neste caso específico, a menina que os pais perderam jamais poderá deixar de o sujeito da oração. O verbo a ser conjugado neste momento triste é respeitar. O predicado, “analisar, pensar, aprender, buscar soluções”.

Não dá mais. Precisamos renortear tudo. Pais têm que deixar o que for para recuperar o tempo que estão perdendo com seus filhos. Filhos têm que deixar o que for para viver a felicidade da vida perto daqueles que - de verdade -os amam. Que o mundo louco, atrativo, iluminado, sexual, divertido, prazeroso, voraz e inconsequente que está lá fora comece a perder adeptos em prol da vida e da manutenção da vida. Chega de tanta juventude ceifada por prazeres momentâneos que nem lembrados serão mais depois de amanhã.

RETRATO DESTE TEMPO
Esta semana, com ação de inteligência, a Delegacia de Investigações Gerais desbaratou quadrilha que furtava - muito - em Franca. O QG dos criminosos estava em chácara, na região do Paiolzinho, entre Franca e Claraval. Lá, a polícia encontrou moto, automóvel e dezenas de bens levados de incontáveis residências francanas. Também, armas e muita droga. Quando foi feito o cerco, dois dos bandidões fugiram pelos fundos. Deixaram tudo, inclusive, mulher e filhos! Há dois ângulos de observação: mulheres e filhos se calam e são forçados a participar, apoiar. A ética e a cidadania faliram? É o amor? É a dor...

EM TESE
Dizem os que cuidam - com zelo - de animais, que quem os agride pode agredir qualquer um. Não duvido. Meu amigo Dino “Adestrador” Thomaz me ensina que pitbulls ‘assassinos’ são o reflexo de seus donos ‘assassinos’. Aleni Papacídero, a seu modo, também ensina. Conduziu esta semana, com sua Cão que Mia, marcha contra crueldade com animais. Cerca de 200 pessoas acompanharam para gritar por política adequada e respeito aos bichos que nada podem para se defender. Observando bem, será que Aleni, Dino e um exército de pessoas que lutam nessa causa – a marcha aconteceu em 150 cidades brasileiras, na mesma data –, concluíram que já não adianta lidar com o homem que, em tese, deveria ser o animal racional?

GUINESS?
Gilberto Garcia, o vozeirão do “Saudade não tem idade” que está nos fins de domingo da Difusora há 42 anos (não seria ele, então, um dos mais antigos radialistas no ar no Brasil, feito digno de Guiness Book?), estrelou ‘perfil’ assinado pelo repórter especial do Comércio, Maurício Buffa. Quem não conhece a história do Giba, também um grande ourives, pode acessar o portal GCN através do link http://www.gcn.net.br/jornal/index.php?codigo =157896.

LUIZINHO ‘CAPETA’
Sem dúvida, Élison Fernandes (quem?), conhecido Luizinho ‘Capeta’, atleta eterno do amadorismo francano e colecionador de histórias de clubes locais, regionais e nacionais, dono do único papagaio corintiano (a ave assovia o hino mosqueteiro, pode?), respondeu-me, de estalo, dúvida que um de nossos chargistas cá do Comércio tinha, para compor as camisas de três ex-atletas da A. A. Francana de 1958(!): a do zagueirão Eca era a ‘3’ ou a ‘6’, do meia Dico, a ‘8’; e a do volante Geraldo, a ‘4’. Lembrou-se mais: “a torcida gostava de dizer que ‘com Eca no time, ninguém rasga’ (fale isso rapidamente), já que ele não perdia para ninguém no cabeceiro”. E mais: “com Geraldo, Dico, Eca (diga também rapidamente), a Francana não perde jogo”. Gostosas memórias. Aliás, Eca, de jogador, foi a treinador, aquele que levou a Francana à Especial, em 1977. Depois, nunca mais...

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

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