Chuvarada deixa verduras e legumes até 80% mais caros


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DISPARADA - Pimentões (à frente) e tomates (ao fundo) estão  80% e 66% mais caros, respectivamente
DISPARADA - Pimentões (à frente) e tomates (ao fundo) estão 80% e 66% mais caros, respectivamente

O grande volume de chuva registrado neste início de ano na região de Franca tem trazido prejuízo a produtores, comerciantes e consumidores de hortifrútis. Além de apresentarem menor qualidade, os produtos chegam a ser comercializados com valor 80% maior. Os campeões de aumento foram o quiabo (80%), o pimentão (80%), o tomate (72%) e a abobrinha (66%). Já o preço das frutas, batatas e cebolas foram mantidos, ao contrário do das folhas que também foram prejudicadas pelo excesso de água.

A caixa do tomate, que era negociada na Ceagesp a R$ 35, passou a valer R$ 60 após o início das chuvas. O quiabo e o pimentão passaram de R$ 25 para R$ 45 a caixa. Já a caixa da abobrinha saltou de R$ 30 para R$ 50.

Outro problema verificado foi a queda na qualidade dos alimentos. Com a má condição e o preço elevado dos hortifrútis, os estabelecimentos têm notado mudanças no cardápio dos consumidores. “A alface, que antes saia a R$ 2,50, do começo do ano para cá tem saído a R$ 3,30. A abobrinha e o quiabo também aumentaram e o consumidor começou a levar batata, cenoura, outros produtos”, disse Rafael de Faria Patrocínio, proprietário do Rafas Super Varejão.

Se não substituem os alimentos, os consumidores compram menos. “Quem costumava comprar um quilo, por exemplo, tem levado meio”, disse Ricardo Patrocínio, sócio-proprietário do Varejão Irmãos Patrocínio.

Em um sítio próximo a Ribeirão Corrente, o pequeno produtor Paulo César Maia cultiva folhas e alguns frutos e legumes que distribui em Franca. Ele contou que a colheita tem sido baixa e o rendimento mínimo, embora esteja vendendo a um preço maior. “A verdura que eu colhia em 30 dias, eu não tiro em 50. As folhas não crescem e apodrecem no pé. Antes, para formar um molho, dois pés de alface davam, agora tenho que por cinco. Com o tempo melhor, dá para conseguir cerca de R$ 5 mil no mês e agora eu não tenho noção de como vai ser.”

De acordo com Paulo, em condições normais, colhendo duas vezes por semana, dá para conseguir cerca de 40 caixas de chuchu e vender a R$ 7 cada. Na atual circunstância, sete caixas foram colhidas e distribuídas a R$ 20 cada.

Até ontem, segundo a Defesa Civil do Estado de São de Paulo, choveu 295,4 milímetros neste mês em Franca. O número está bem próximo da média histórica de janeiro, que é de 297,1 milímetros. De acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a chuva continua nesta sexta-feira. A previsão é de tempo “nublado com períodos de parcialmente nublado, pancadas de chuva, por vezes fortes, e trovoadas”.

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