A presidente Dilma Rousseff começa seu segundo ano de mandato com uma notícia animadora em sua trajetória política. No último sábado, ela recebeu números de uma pesquisa do Datafolha mostrando que 59% dos brasileiros consideram sua gestão ótima ou boa. Outros 33% avaliam como regular e apenas 6% ruim ou péssima. Tudo isso para um primeiro ano de governo em que Dilma teve que conviver com a sombra de seu antecessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e escândalos que, como os números provam, não mancharam sua administração. Denúncias de corrupção, queda de ministros - foram sete baixas - e uma economia mundial cambaleando não foram suficientes para sequer trincar sua imagem.
Dilma goza de uma aprovação maior do que todos os presidentes que vieram antes dela nas mais recentes eleições democráticas. Sempre considerando os primeiros anos de governo, Fernando Collor ficou com 23%; Itamar Franco, 12%; Fernando Henrique, 41% no primeiro mandato e 16% no segundo; e Lula com 42% no primeiro e 50% no segundo.
Mas qual a força de Rousseff? Como ela conseguiu ser melhor avaliada que Lula, um dos mais carismáticos presidentes da história? As respostas não são tão simples assim, mas dados mostram que o brasileiro está mais feliz e suas finanças estão melhores. Estamos comprando mais, gastando mais e a crise tão falada lá fora, pelo menos até agora, não causou estragos significativos em terras tupiniquins.
Os brasileiros estão absolutamente otimistas com a economia, segundo o Datafolha. Sessenta por cento dos entrevistados acreditam que sua situação financeira vai melhorar neste ano. Para os especialistas é fato que este aspecto é fundamental para números tão positivos da presidente.
Números e aprovações à parte, Dilma terá agora um ano para descolar-se definitivamente da imagem de Lula e traçar seu próprio perfil. Passos neste sentido foram dados nesta semana. A presidente fez sua primeira reunião ministerial do ano na segunda-feira. Notícias de bastidores dão conta de que a perspicácia e falta de paciência da nossa dama de ferro estavam acentuadas. E devem ser essas características que irão marcar os próximos anos de seu mandato.
Apesar de a tão esperada reforma ministerial deste início de ano se restringir a pequenos ajustes, quando pôde, Dilma substituiu políticos por técnicos em importantes cargos do governo federal. Na última segunda-feira, foi anunciada a saída de José Sergio Gabrielli da presidência da Petrobras. Em seu lugar, assume a engenheira química Graça Foster. Funcionária de carreira, ela será a primeira mulher a comandar a maior empresa brasileira em quase 60 anos de história.
Substituições como esta evidenciam o perfil de Dilma, que não é nem um pouco política com os colegas políticos. Mas se a arte política é estar bem com o povo, os números do Datafolha provam que a presidente está correta em seu caminho. O problema é que ela deixou os políticos para se apoiar na economia e uma provável crise futura pode lhe custar caro.
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