Morreu na madrugada do dia 11, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Regional de Franca, o conhecido, respeitado e inovador engenheiro civil Maurício Costa França, aos 84 anos. Nos últimos dois meses e meio, com insuficiência renal, submetia-se a hemodiálise. Sofreu uma isquemia e teve parte do corpo paralisado, mas, com melhoras consideráveis na ocasião do Natal, começou a preparar-se para dedicar-se à fisioterapia.
Novos exames realizados, constatou-se anemia e a necessidade de ampliar o número de sessões de hemodiálise. Em curto intervalo de tempo, Maurício ficou fisicamente esgotado e acabou acometido por AVC no decorrer de uma das sessões. Imediatamente socorrido, passou a receber cuidados cardíacos especialistas na Unidade Intensiva do hospital, mas morreu no dia 11.
Era francano. Aos 16 anos foi para São Paulo completar estudos secundários e dedicar-se a seu sonho de ingresso na Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), uma das ilhas de excelência de formação de engenheiros do Brasil. Ingressou e se tornou profissional diferenciado, como demostrariam, depois, suas obras. Voltou a Franca e dedicou-se, ao lado do irmão Paulo, também engenheiro, a implantar projetos ultramodernos para a época.
O escritório deles ficava em prédio que projetaram e construíram na esquina das ruas Marechal Deodoro e Comércio para sediar ambientes comerciais e institucionais voltados a profissionais liberais, isso em tempo em que o conceito de ambientes compartilhados para trabalho ainda não existia. Convidado a cuidar do projeto da sede própria da AEC (Associação dos Empregados no Comércio), foi buscar outro companheiro, o arquiteto boliviano Carlos Lack, com quem tinha convivido em seu tempo de Poli. O resultado foi um prédio de linhas diferentes e futuristas, concebido com grandes vãos livres e muito vidro, motivo de intenso orgulho profissional para Maurício e seus companheiros e responsável por dar a Franca ares de modernidade absoluta, a partir do centro da cidade.
Foi também dele o projeto e a execução da fábrica de Calçados Samello, na rua General Osório. Maurício inovou também ali, trabalhando com tijolos à mostra, sheds para o acesso de iluminação e ventilação natural, conceitos que só em décadas posteriores tornaram-se referenciais pela preocupação ambiental e cuidado com o homem. O crescimento da cidade também se deu com base nas atividades dele e de suas ideias. Pode-se considerá-lo um dos desbravadores da conquista de financiamentos do BNH (Banco Nacional de Habitação) da época – hoje, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) – para obras residenciais. Em terras de sua família, deu origem ao bairro Vila França. Ali, construiu imóveis na rua referencial do bairro – a Alameda Arminda Nogueira –, os os vendeu a interessados aprovados pelo banco.
Na sequência, atraído pela construção de barragens, dedicou-se a anos de serviços às hidroelétricas de Porto Colômbia, Itumbiara e Marimbondo, como funcionário de Furnas Centrais Elétricas. Após, foi trabalhar na usina de Angra dos Reis, da Nuclebrás. Foi lá que se aposentou em 1983. Voltando a Franca, continuaria sua obra projetando e tirando do papel mais dois loteamentos, o Parque dos Lima e o Residencial Paraíso.
A seu lado, sempre esteve sua família, auxiliando-o no dia a dia de jornadas longas e pesadas. Nos momentos de descanso, Maurício se esquecia um pouco de números e projetos, compondo e cantando. Compôs sambas-enredos para várias escolas de samba de Franca (um deles homenageando a cronista social Patrícia), músicas românticas e até um hino esportivo, declarando seu amor pelo basquete de Franca. É exatamente este hino que embala as partidas e as atividades do Franca Basquete, hoje.
Teve três CDs gravados. No primeiro, Vivência, prestou homenagens à família, compondo para sua mulher Janete, aos filhos Maura (casada com Paulo César Fonseca), Flávia (com Cyrillo Barcelos Júnior), Paulo e Luiz Roberto. Sofreram todos, absurdamente, quando perderam, em acidente próximo à Morada do Verde, em Franca, Paulo e Luiz Roberto. Falou também dos netos Guilherme e Marina. Seus outros trabalhos musicais estão nos discos Amo e Amor em Tom Maior. Sua família guarda, dele, o carinho e o amor de um pai presente e a grande preocupação que sempre revelou encaminhando cada um dos filhos, disse Flávia
Suas memórias pessoais e profissionais estão gravadas em vídeo na Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Franca, entrevistado que foi pelo arquiteto Mauro Ferreira para o projeto ‘Memória e Ciência’. Foi, também, vereador, pelo PDC, nos anos 60. O corpo de Maurício foi velado no São Vicente de Paulo. O sepultamento ocorreu no Cemitério da Saudade no mesmo dia da morte.
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