A desocupação de um terreno público entre as ruas Dráuzio MMDC e José Joaquim da Rocha, no Parque do Horto, no início da tarde de ontem, foi marcada por confusões. Pouco depois do meio-dia, tratores e caminhões da Secretaria de Serviços Municipais já estavam a postos para executar a limpeza da área, onde há um barraco de madeiras e telhas de eternit. No local, há 15 anos, vivem o catador de sucatas Alexandre Freitas e sua mulher Michele, que está grávida de oito meses.
O terreno, que ocupa cerca de um quarto do quarteirão e fica próximo a uma região de mata fechada, servia também de depósito para o material recolhido por Alexandre das ruas. “Eu trabalho pegando reciclável. Não sou bandido não. Estou aqui porque com o que ganho não consigo pagar um aluguel. Se tivesse alternativa ou ajuda, não estaria aqui.”
Ele disse que não foi avisado pela Prefeitura a respeito da desocupação. “Eu estava trabalhando quando a minha mulher ligou dizendo que estavam aqui para derrubar tudo. Ela está grávida. Está chovendo. Não temos para onde ir. Nem sei o que vou fazer.”
A ação do Setor de Fiscalização da Prefeitura foi comandada pelo agente de fiscalização Eurípedes Mariano Reis com base num processo administrativo. “Eu estou aqui cumprindo ordens.” Três viaturas da Guarda Civil e duas da Polícia Militar também acompanharam os trabalhos que duraram cerca de duas horas. Seis caminhões lotados de materiais e entulhos foram retirados do terreno.
Durante vários momentos, houve bate-boca entre amigos do casal e agentes da prefeitura. Vizinhos também protestaram contra a retirada do casal do local. “Eles são gente boa. Não fazem mal para ninguém. O moço é trabalhador e a mulher está grávida”, disse o comerciante José Eurípedes de Oliveira, que tem um bar próximo.
Quando restava apenas demolir o barraco, o chefe da Fiscalização, Ismael Xavier, compareceu ao local. Conversou com Alexandre e decidiu não demolir a casa improvisada. “Vamos dar mais dois dias de prazo para eles deixarem o terreno. Depois retiramos tudo”, disse, ainda no local.
Mais tarde, ao ser entrevistado por telefone em seu gabinete, Ismael disse que, na verdade, a ação não se tratava de uma desocupação de área e, sim, de uma limpeza e que os agentes da prefeitura não tinham nenhuma ordem judicial para agir. “Não sabíamos que havia pessoas morando ali. Para nós, era apenas um depósito de recicláveis. Por isso, decidimos parar a demolição.”
Segundo ele, agora o caso deverá ser encaminhado para o Departamento Jurídico. “Como há moradia no local, não podemos simplesmente derrubar. Isso tem que ser tratado judicialmente.” Disse também que acionou a Assistência Social da Prefeitura para prestar apoio à família.
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