Nova notícia velha


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A par das novidades, entra ano, sai ano e o noticiário apresenta repetição sem fim. O leitor mais atento deve ter notado que em dezembro, ao contrário das pessoas que se empanturram de comes e bebes, acumulando barriga e gordura, todo jornal dá uma emagrecida. As páginas diminuem, cadernos se fundem ou deixam de circular temporariamente.

A falta de notícias mais apimentadas no final de ano acaba por se estender até a primeira quinzena de janeiro. Tirante os acontecimentos gestados pela própria mídia, como o da ‘Luiza que estava no Canadá’, o do suposto estupro praticado no BBB12, o da fictícia gravidez de uma mulher de Taubaté e mais algumas trocas de pernas-de-pau pelos clubes de futebol, a notícia gira mesmo em torno dos estragos pluviais.

As águas de janeiro são implacáveis para os imprevidentes. Trata-se de um fenômeno natural de sucessão cíclica. Por vezes, o jornal parece antecipar a notícia. Na última quarta-feira, quem deixou para ler à noite a coluna Há 50 anos deste Comércio, poderia imaginar que se tratava de informação do dia. O título compilado da edição de 18 de janeiro de 1962 pelo editor Luiz Neto, diz tudo: ‘Inundada a fábrica Samello’.

Não deu outra. O dia 18 de janeiro de 2012 até que prometia ser de sol. De repente, por volta das 15h30, nuvens escuras se formaram para os lados da região Oeste da cidade. Começou a escurecer também nas cercanias da região Leste. O mau tempo da bacia do rio Sapucaí contornou Franca e se juntou ao das bandas de Claraval. A chuva desceu forte nas cabeceiras dos córregos dos Bagres e do Cubatão, inundando as duas principais avenidas marginais da cidade.

O resquício da chuva de quarta passada perdurou até ontem no Fórum. A repartição ficou fechada para o público pelo resto da semana e até ontem. Volta a atender somente hoje. De inundação à alta no preço de material escolar, o noticiário vai vivendo de forma minguada.

Mas eis que surge uma notícia nova, na mais pura redundância. Não bastasse os parcos reajustes salariais e o embutimento de trabalho pedagógico na jornada dos professores ao longo dos últimos anos, o Estado acaba de criar novos cálculos matemáticos para contabilizar a hora/aula. Desde 2008, o governo estadual reluta em acatar uma lei federal sobre a composição da jornada de trabalho do professorado. Perdeu judicialmente em todas as instâncias. O acórdão saiu em julho de 2011. Para não atrapalhar o ano letivo, houve acordo na implantação da legislação a partir de 2012.

Depois de esperar até o último dia útil, a atribuição de aulas teve início ontem, a SEE (Secretaria de Educação do Estado) publicou resolução no Diário Oficial de 20 de janeiro, normatizando a jornada de trabalho semanal dos professores em 48 aulas. A novidade matemática virou notícia e pode trazer a velha greve de forma inusitada. Ou seja, as aulas nem começam no primeiro dia de fevereiro.

Antônio Araújo
Articulista e professor - tonin.palavras@uol.com.br

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