Geralmente, a formalidade vem sempre depois da prática, apenas para confirmar aquilo que no cotidiano todos já conheciam. Para boa parte dos brasileiros, Franca já é a capital do calçado há muito tempo.
É difícil explicar de onde surgiu essa percepção. Pelo histórico de nossa indústria, nunca existiu um planejamento coeso, que englobasse o grosso de nossas empresas e que se dispusesse a metas e objetivos claros. Talvez essa fama venha mais das ações isoladas de alguns empreendedores e um pouco também daquele velho e bom ‘golpe de sorte’.
De qualquer forma, a formalização é sempre importante. Em tese, oferece uma garantia oficial aquela sensação que os consumidores já tinham. Em um mercado cada vez mais competitivo, é preciso criar diferenciais para se destacar na percepção do consumidor. Se antes esses diferenciais se restringiam apenas às empresas, hoje eles começam a ser também importantes para cidades e regiões, tudo em função da excessiva oferta de bens, serviços e produtos que podemos encontrar na sociedade atual.
Nesse sentido, a aprovação do Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) ao pedido feito pelo Sindifranca é uma grande conquista para a nossa cidade. A partir de agora, se houver um trabalho mais franco e aberto de colaboração e inteligência empresarial entre nossas empresas, algo que infelizmente nunca aconteceu, será possível traçar um plano de marketing mais agressivo, com investimentos suficientes para destacar a qualidade e a tradição de nosso calçado.
Como dificilmente conseguiremos competir com chineses e indianos no que diz respeito ao preço final do produto, a ideia de vender um selo de qualidade aplicado ao âmbito da região vai ser muito importante para impactar aqueles consumidores mais exigentes, que não se importam com o preço, mas sim com a qualidade e a confiabilidade dos produtos.
É bom lembrar, no entanto, que a ideia de unir todas as empresas em torno de um único plano já se encontra em vigência em nossa região. Atualmente, somos um dos 17 Arranjos Produtivos Locais que existem no Estado, uma iniciativa do Sebrae que busca coordenar um trabalho de cooperação entre empresas localizadas em um mesmo território e que apresentam especialização produtiva.
Os resultados, porém, não têm sido muito animadores, não por qualquer problema de coordenação, mas sim pela falta de união entre nossos empresários.
Resta saber agora se eles saberão aproveitar mais essa oportunidade. Para ajudá-los, podemos lembrar que ‘uma andorinha não faz verão’, e que o inverno será mais tenebroso no futuro próximo.
Se conseguirmos vender Franca em primeiro lugar, a concorrência já diminuirá bastante. E depois estaremos em casa para lavar a roupa suja, se houver.
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