Médico alerta sobre efeitos das drogas na gravidez


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Em entrevista ao Comércio, o médico obstetra José Bernardes de Pádua, que atua na profissão há mais de 40 anos, também alertou para os riscos do consumo de drogas durante a gestação. Veja as informações passadas pelo profissional.

PODER DE DEPENDÊNCIA
O crack é uma mistura da cocaína com algumas substâncias que diluem o efeito da cocaína e tem efeito muito rápido nas pessoas. Se a pessoa usar o crack duas vezes, praticamente já se torna viciada nele porque tem um alto poder de dependência. Se a pessoa está grávida, dependendo da época da gestação que usa o crack, ele tem efeitos mais deletérios sobre a criança. Por exemplo se for até a 14ª semana de gestação, quando a criança está se formando, os efeitos são os mais variados possíveis. É impossível prever os efeitos que vai ocasionar.

SEQUELAS
São comuns sequelas físicas, da ordem do desenvolvimento cerebral. Os bebês podem apresentar mais tendência para o autismo, psicose e ter doenças mentais por causa do uso da substância na época embriológica, quando está se formando o sistema nervoso central.

DEPENDÊNCIA
Se usa durante toda gestação, a criança vai acostumar com o crack. Quando a mãe fuma as pedras, o crack entra na corrente sanguínea e chega até a criança. A viciada é a mãe, mas a criança nasce acostumada num ambiente em que a mãe fazia uso constante do crack, então ela vai ter síndrome de abstinência, ou seja, a falta do crack, logo após o nascimento. Os sintomas dessa síndrome são os mais variáveis possíveis, como convulsões, crises respiratórias. Os pediatras ficam extremamente preocupados com a evolução imediata e também no pós-parto por causa dos efeitos da síndrome de abstinência desta substância. A criança pode ter só o efeito imediato, superar a crise, ou ficar dependente.

COMO SABER
Até pouco tempo não tínhamos meios de descobrir se a mãe consumia crack porque elas não costumam revelar isso. Mas existe um exame. Quando suspeitamos, coletamos o sangue da mãe e ele aponta se a pessoa usou crack nas últimas 48 horas. Há dois anos uma médica de Ribeirão Preto fez um trabalho importante que permite detectar qualquer tipo de droga que a mãe tenha usado durante toda gestação, pelo exame de sangue. Assim sabemos que a criança está tendo crise de abstinência por uso de droga pela mãe. Tudo que sabemos é feito de maneira empírica porque é pouco tempo de uso do crack. Na medicina, dez, 15 anos é muito pouco para sabermos como a droga vai atuar na criança filha de uma mãe que consumiu crack ou outras drogas.

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